Tuesday, August 30, 2011

Fim de tarde


Foi tudo muito rápido
Chamei de meu, chamou de sua
Sem nem ter pedido
Roubou o céu, me deu a lua

Compôs sua própria melodia
Na música que eu ouvia
Se foi a noite, chegou o dia
Você ainda me perseguia

Essa chuva vai passar
Vou esquecer o que é saudade
O sol vai clarear
E queimar sua metade

A metade do meu coração agora será o inteiro
E eu nem vou ao enterro
Desse nosso amor que morreu
De você que me perdeu

Monday, August 29, 2011

Street lights

Deitada, vendo as nuvens deslizarem na pista azul-claro. Assistindo a pista escurecer a medida que as horas passam. Olhando para cima, vendo nada enquanto os minutos correm. Sentindo o tambar no peito rufar no ritmo da melodia dos pensmentos que mudam de segundo em segundo.
Sentada, tentando decifrar o labirinto interno, procurando explicações no caos externo. Com as mãos no piso gelado na mesma temperatura dos sentimentos. Observando a correria das manchas luminosas da metrópole, as quais tomam formas tão imaginárias quanto esse amor.
De pé, pensando se o próximo passo é para trás ou adiante. Com a sola dos pés colada com o calor do asfalto e a palma das mãos voltadas para o rosto, barrando a possibilidade de olhar em volta, impedindo a confusão dos cômodos de dentro com os campos de fora. Precisando de um abraço das correntes de ar e pedindo que pelo menos o vento mostre em que caminho andar.

Saturday, August 27, 2011

Molho de chaves


Esse molho de chaves que carregamos: chave do carro, chave da casa, chave da gaveta, chave do cofre, chave do diário de nada servirá se não soubermos usar a chave do coração.
Há pessoas que escondem essa chave nas profundezas simplesmente pelo medo de que portas ela pode abrir. Outras deixam-na bem a vista, pois querem que todos tenham acesso a essas passagens não tão secretas.
Em que perfil você se encaixa? É daquelas pessoas que fazem pouco caso dessa chave ou a guarda como se fosse feita de ouro mesmo quando é de alumínio? No primeiro perfil há muito sofrimento, e a dor é constante, pois o dono ou a dona dessa chave não se importa que ela seja roubada, e que peguem emprestada. Depois, no entanto, sentem-se mal por terem deixado esse importante objeto tão vulnerável e disposto a pessoas que não saberão cuidar dele nem do que ele guarda.
Já no segundo perfil, também há muito sofrimento. A diferença é que quem consegue finalmente alcançar a chave nos confins dos cofres e calabouços dos sentimentos, provavelmente vai tomar mais cuidado. Ou não. Pode ser que o detentor dela nem perceba o quão é precioso que tem nas mãos e jogue fora sem nem ter dado uma olhada no que ela trancava.
Mais uma vez aquele meio termo é tão procurado. Não podemos colocar setas apontando para essa chave, muito menos escondê-la tão bem escondida que na maioria das vezes será achada por engano. Tentemos escolher quem vai ficar com ela, tentemos também não entregá-la a alguém que fará uma cópia dela e mesmo que devolva a original, sempre terá acesso irrestrito ao coração. O que sem dúvida é péssimo, pois quando quiser fugir será como se estivesse preso, perdido em um labirinto. Tentemos não destratar a chave dos outros, muito menos o conteúdo da porta que ela destranca. Tentemos amar as chaves, tanto quanto amamos quando são utilizadas.

Thursday, August 25, 2011

Auto-ego


Ninguém vai entender porque fico com raiva desse tipo de coisa. Uma atriz gosta de estar na pele da personagem principal, gosta de ser o foco da atenção sem precisar gritar para ser ouvida. Gosta de ter os olhares voltados para ela apenas por ter suspirado de saudade, ou gargalhado de uma piada. Ela gosta do foco.
Não muito diferende de uma atriz, eu me encaixo nesse perfil. A única diferença é que uma boa artista consegue fingir sentimentos: alegria, raiva, tristeza. Já eu sou uma negação em fingimento, afinal de contas, não faz o menor sentido fingir simpatia por uma pessoa que só me dá ojeriza.
Queria eu poder dizer que não é nada pessoal, no entanto, é mais que pessoal. Sou assim, guardo rancor, sou orgulhosa, o que não me agrada, não me agrada e ponto final. Não vou moldar meus valores para aturar o que me estressa. Não vou deixar de ser eu para amaciar o ego alheio.
Sei bem que o que faço não é a atitude mais certa a se ter. Na verdade, é a mais ridícula e infantil possível. No entanto, posso afirma-lhe com toda certeza que o esforço que já fiz para mudar isso em mim não pode comparar-se a imensidão de gotas no oceano, de tão grande que foi. Sim, eu posso tentar mais, me esforçar mais. Posso um dia dizer que minhas tentativas não cabiam na infinidade do universo, mas não sei se tenho mais forças para lutar contra algo que está mais dentro de mim do que eu mesma.
Parece egoísmo, egocentrismo, criancice, imaturidade, mais alguns "egos" podem ser colocados aqui; e é isso tudo sim, mas é também autoconsciência do que sou, é a autoestima que poucos têm, é a personalidade que é tão rasa na maioria das pessoas. Como tudo nessa vida tem seu lado bom e ruim por acontecer, eu também tenho meu lado bom e ruim por ser quem eu sou. Por ter acontecido do jeito que aconteci.

Wednesday, August 24, 2011

Entre um e outro


Um dirá que é linda, e o outro, gostosa. Um elogiará seu cabelo, outro, seus seios. O primeiro falará que seu beijo é doce, o segundo comentará o quanto o deixa excitado. Percebe a diferença entre quem te ama e quem apenas te deseja?
Seus olhos irão brilhar de encanto, seu coração acelerará com o nervosismo, pois toda vez que se vêem é diferente e ainda assim tão igual. Não importa onde estão ou o que façam, sempre estarão em sintonia. E quando os olhos se encontrarem, sorrisos inconscientes irão surgir e alegria incontrolável irão sentir. Vai ser amor, mesmo na negação dos que sentem.
Suas mãos vão suar, seu coração vai acelerar de excitação, pois toda vez que se encontram é a mesma coisa. Em qualquer lugar claro o fogo acende, e nos cantos escuros, ele queima. Quando os corpos se juntam, o prazer é inegável, a sincronia, insubstituível. Vai ser carnal, eles sabem, ninguém entende.
Um é sentimento, o outro é sensação. Um fere a alma, o outro, a pele. Um você perde, o outro você esquece. Um é para sempre, o outro é passageiro. O primeiro te completa, o segundo te esvazia. Há uma diferença entre quem você ama e quem você usa!

A história da Biologia, uma linda mulher.

Devo dizer que o texto que virá a seguir foi resultado de um trabalho feito nos últimos minutos do segundo tempo, onde tinhamos que ler um texto sobre a História da Biologia e falar para todos o que havíamos entendido do texto. De preferêcia que usássemos uma maneira diferenciada para resumir o tal texto. Então fizemos uma narrativa, quase que um conto de fadas, chaia de analogias. Só não acrescentamos o final feliz.

Era uma vez uma linda mulher grega chamada Biologia. Ela era uma mulher atraente e extremamente eclética. Vários poetas tentaram descrevê-la, mas nunca conseguiam colocá-la em palavras. Tentavam entendê-la baseando-se nos seus relacionamentos passados ou comparando-a a outras mulheres para saber se suas atitudes e feições eram de alguma maneira semelhantes às das outras.
Com um tempo alguns homens foram conhecendo essa mulher mais profundamente. Assim, tentaram entender o que ela havia feito com o sei passado e o quanto havia evoluído como mulher. Ou apenas conhecendo sua família e amigos para conseguir opiniões de pessoas mais próximas a ela.
Eram tantos homens apaixonados por ela e que sentiam uma incrível necessidade de entender o porquê dessa paixão, que todos se reuniram para discutir suas razões. Depois de muito dialogarem em vão, alguns tiveram a brilhante ideia de responderem perguntas-chaves para entendê-la melhor.
As perguntas foram "O que?", "Como" e "Por que?". Perceberam que erravam ao tentar descrevê-la, pois ela era tão diferente que cada um se apaixonaria por uma característica única dela.
E como ela conseguia conquistar tantos? Pensaram basicamente no óbvio: no seu físico. Na lei da conquista a primeira impressão é a que fica. A Biologia era, de fato, muito atraente.
E o porquê de tantos continuarem apaixonados por ela foi respondido por um de seus pretendentes: Darwin. Além de causar uma ótima primeira impressão, ela não decepcionava. Estava sempre engajada nos projetos da Igreja Católica, que tinha como ideologia o criacionismo, e era bem inteligente, amava históra natural e a ciência.
No final das contas, eles perceberam que cada um deles iria sempre amar e exaltar em especial um atributo daquela linda mulher, portanto nenhum conseguiria entendê-la por completo.

Saturday, August 20, 2011

Desconfiar de si


Decepcionar-se nunca foi e nem será uma coisa boa. Ninguém gosta de depositar toda sua confiança em alguém que no final das contas só te apunhala pelas costas. A frase "eu me decepcionei" nunca será dita com um sorriso no rosto. Bem provável será se lágrimas estiverem escorrendo e coração sofrendo.
Alguns clamam que decepção é a pior dor que pode existir. Outros apenas dizem que é ruim, nada muito extraordinário e traumatizante. Ninguém, no entanto, parou para pensar no quanto dói decepcionar alguém que se ama. É certo que muitas vezes quem decepciona uma pessoa, o faz simplesmente por não dar a mínima aos sentimentos dela. O que faz as pessoas pensarem que aquele relacionamento foi construído pedaço por pedaço em cima de falsidade. E as decepções dos relacionamentos construídos na sinceridade do sentimento?
Quem decepciona sofre, por incrível que pareça. Quem decepciona comete o erro por engano, se culpa e é culpado, de fato. Não nega o vacilo, mas também não consegue seguir em frente sem ficar mal com tudo que provocou. Decepcionar, muitas vezes, pode ser pior que se decepcionar.
Estou certa de que muitos irão discordar da última frase redigida, porém não me darei ao trabalho de removê-la, pois concordo. Parece estranho, mas me dói ao extremo decepcionar quem eu só quero mostrar o quanto é possível viver sem medo de sofrer. É como dizer que vou dar o mundo àquela pessoa, alimentar essa esperança, fornecer boa parte desse mundo, e logo em seguida roubar tudo e mais um pouco.
Não foi minha intenção, eu só quis ajudar e por um deslize o que fiz foi piorar tudo. Logo, eu me encontro só, sem palavras para exigir perdão, sem forças para reverter a situação. E então eu começo a perceber: O que dói, na verdade, não é decepcionar alguém. O que dói é quando o motivo da decepção é você mesmo.
Cuidadosamente, analisando a situação, podemos perceber que ao proporcionar a ideia de que o mundo não trará apenas dor e lágrimas, está fazendo uma promessa de que você, principalmente você, não dará a essa pessoa motivos para chorar. Com um azar que surge não sei de onde, você quebra essa promessa. Você falha com quem deseja apenas acertar. Decepciona-se por ter prometido algo que não pode cumprir.
Percebeu a diferença? Percebeu como é chegar e entregar a alguém todas as cartas de esperança, coragem, vontade e no final das contas, com um truque de mágica, transformá-las em ilusão, dor e decepção? Não, não é fácil ser esse mágico que só consegue levar escuridão as pessoas que merecem mais luz do que o sol pode fornecer. Culpar-se, consome qualquer pedaço de amor próprio e dignidade que guardamos conosco. Destrói uma vida que você precisa ter ao lado e deixa em ruínas a sua também.
Nunca ficarei feliz em ouvir a palavra decepção, muito menos em ouvir a frase: eu me decepcionei com você.