Thursday, October 1, 2015

Falando em...

      Que bonito! Mais uma vez deixei o blog a mercê das aranhas virtuais. Se tem uma coisa complicada para mim é manter hábitos. No entanto, como toda vez que me sinto mal, farei mais uma promessa pessoal de voltar a escrever. Escrever me alivia, me faz falta, me faz viajar em histórias reais e fictícias, às vezes até os dois tipos ao mesmo tempo. Quero escrever sobre a experiência de morar fora por quase um ano, dar dicas de viagens, mas sem deixar de lado meus bons velhos textos tirados lá do fundinho da minha imaginação.
      Falando em inspiração, devo dizer que fiquei muito decepcionada ao ver que um dos blogs que sempre me deixou preenchida de ideias para botar no papel (ou aqui). Era um blog que as próprias leitoras escreviam. Mas oi? Isso mesmo. As leitoras mandavam suas histórias, seus dramas, seus amores, suas saudades. Isso me inspirava, até hoje inspira. Algumas dessas histórias me marcaram e o mais engraçado é que nem conheço as autoras, mas sempre há o poder da identificação. Você lê aquelas palavras escritas por outra pessoa e podia jurar que foi você quem escreveu. É uma comunidade que se abraça com palavras e enxuga as lágrimas mesmo distante, ou sorri a felicidade do outro mesmo nem conhecendo. Era bonito, é bonito. Ele ainda está lá, afinal, apenas nem tem tido atualização desde 2014.
      Falando em data, 2014 foi um ano de mudança para mim também. Todo ano tem alguma mudança que marca, mas 2014 e 2015 tiveram transições fortes e ainda têm. Posso ter perdido uma fonte de inspiração, mas a vida me mantém cheia nesse aspecto. Pessoas, acontecimentos, observações. As pessoas podem te surpreender com coisas infinitamente maravilhosas, te proporcionando amizades tão grandes em tão pouco tempo que você achou que não seria possível. As pessoas também te decepcionam, são capazes de jogar anos para o ar como se fossem horas. Os acontecimentos podem ser impressionantes por um simples detalhe: uma frase que marca uma viagem, um mico que sempre é bom pagar de vez em quando, uma pegadinha que você faz com o colega, uma música que fica na sua cabeça. Já as observações, elas são instantaneamente um exercício para a mente criativa. Nem preciso falar muito por essa última, pois ela já fala por si só.
      Falando em vida e nas possibilidades que ela te proporciona, estou naquela fase em que a vida parece que ta tirando um descanso das aventuras e te deixando no tédio. Aquele tédio que mesmo tendo mil coisas para fazer, você faz absolutamente nada. Para exemplificar essa inutilidade que me assola: faz pelo menos três dias que escrevo esse texto. Três dias sendo muito otimista. E vamos terminar sem muita criatividade, porque é a vida...

Tuesday, January 20, 2015

Instituto da mente

      - VOCÊS NÃO PODEM FAZER ISSO! - ela já gritava refletindo sua indignação diante da situação.
      Já era difícil suficiente ver sua irmã mais velha deitada numa cama, amarrada, confinada em uma clínica criada para, teoricamente, curar pessoas com distúrbios mentais. Agora eles queriam limitar as visitas de familiares para apenas um dia da semana. Não apenas de familiares, mas de qualquer ser humano que mostrasse o rosto. Nos momentos em que ninguém estivesse em seu quarto, ela não teria nada além da companhia das ataduras e dos remédios que a deixavam fraca demais para expressar qualquer emoção.
      A cena toda era tão insana que nem conseguia lembrar que insanidade tinha colocado a irmã ali. Discutir tais questões na frente daquele corpo que guardava uma personalidade tão amorosa, tão doce, e ao mesmo tempo tão forte, só a deixava com mais raiva. O que poderia ser tão grave que fez com que seu amor maior perdesse toda a sua essência para aqueles medicamentos? Fazia esforços para lembrar, mas tudo que lhe vinha à mente eram os bons momentos que haviam divido.
      Rir uma com a outra quando algo engraçado que era dito pelos pais que tentavam ferozmente se encaixar no dialeto dos "jovens". Rir da outra quando algo embaraçoso acontecia. Assistir programas de TV ridículos, porque a outra gostava tanto. Ouvir cada história emocionante que estava sendo contada, mesmo que não fosse infantil. Levar a culpa, para livrar a irmã inocente sem nunca pedir nada em troca. Brigar por assuntos banais, mas logo fazer as pazes.
      Tais lembranças só alimentaram sua indignação. Aquela pessoa ali deitada havia sacrificado muito por ela. Seu interior surtava, mesmo não achando que seu exterior fazia jus.
      - VOCÊS PIRARAM, NÃO FOI? POR QUE ESSA PORRA DESSA RESTRIÇÃO REPENTINA? - sentia veias saltando da sua testa.
      Eles estavam querendo impedi-la de ver a pessoa que sempre foi seu porto seguro. Já haviam lhe tirado metade, agora queriam tirar mais um pedaço. Ela sentia essas lascas se esvaindo por seus dedos. No fundo sabia que ela ainda estava ali, por isso nunca havia deixado de visitá-la, ainda que aquela parecesse a primeira vez que estava em pé naquele quarto. Tudo parecia estranho naquele momento. As peças não estavam se encaixando e sua raiva não a permitia ver além da indignação. Sua cabeça já não pensava de maneira coerente. Os rostos dos responsáveis por aquilo já não eram mais visíveis. Será que era assim que sua irmã a enxergava depois de toda aquela medicação? Será que sua irmã a reconhecia como antes? Será que ela lembrava do antes?
      Cada menor pensamento que lhe acontecia, contribuía para que sua paciência se tornasse inexistente. Nenhuma palavra era escutada vinda daqueles "profissionais". A situação em que passou a se ver parecia mais uma cena de um filme de terror doentio que brinca com os esconderijos da mente. Sem perceber, seus gritos já se tornavam a única coisa a ser escutada. Não mantinha mais nenhum filtro de palavras respeitosas que podia usar naquela ocasião. Percebeu uma coisa, porém. Percebeu que seu descontrole foi notado por aqueles rostos sem olhos, nariz ou boca. Percebeu que seu descontrole alarmou algo na mente doentia daqueles que trabalhavam para aquela instituição. Tais percepções não a impediram de continuar sua fúria. Nada lhe pararia na busca incessante para livrar sua irmã daquela prisão mental. Pelo menos era isso que ela achava.
      - Anestesie ela - uma voz assustadoramente suave e calma proferiu tais palavras. Únicas palavras que ela conseguiu escutar além das suas próprias.
      Por um momento seu silêncio foi conquistado por tal comentário. Sua mente, além de desprovida de filtros e furiosa, tornou-se confusa.
      "Anestesiá-la? Por que? Mais narcotizada do que ela está é impossível"
      Ao perceber a movimentação no quarto, sua mente foi clareando os pensamentos. Todos os rostos focados nela: na irmã lúcida, na irmã que estava de pé, na irmã furiosa, na irmã mais inexperiente. De repente, ela se sentiu cercada por todos os lados. Como se de três, eles passassem a ser vinte. O homem mais alto segurava uma seringa branca. O seu rosto fixado nela, como se fosse um predador prestes a dar o bote.
      Sem nem notar, seu rosto já estava coberto de lágrimas. Tentava procurar palavras para justificar seus acesso de raiva como qualquer outra coisa que não soasse como insanidade. Dessa vez, no entanto, foi presa na imobilidade de seus lábios. Olhou em volta em busca do rosto conhecido, o rosto que lhe traria paz. Quando finalmente conseguiu lançar um olhar de socorro para a irmã impossibilitada de levantar-se, se arrependeu de tê-lo feito. Aquela personalidade que tanto conhecia ali não mais estava. Seu semblante era tão frio quanto imaginava ser o dos predadores naquele momento. De sua boca saiu uma risada maléfica com o tom da voz da experiência, fazendo com que não a reconhecesse mais. Isso aumentou o desespero da fuga. sem analisar muito as possibilidades, correu pela porta de entrada. Atrás dela o predador mais veloz com a seringa em mãos. Ao fundo conseguia enxergar os outros caminhando calmamente em sua direção. Com o coração acelerado e os passos tentando acompanhar tal velocidade, decidiu não mais olhar para trás.
      Cinco segundos correndo, pareceram 50 anos perdidos. O baque consistente com a velocidade de seu pior predador derrubou suas forças. Fechou os olhos os mais forte possível enquanto sentia o metal frio entrando no seu pescoço. Apesar da brutalidade imprimida na seringa contra sua veia, o momento pareceu se arrastar em câmera lenta. A cada milésimo de segundo suas pálpebras afundavam mais e mais. Seu coração deveria acalmar, mas não era isso que sentia.
      Abriu os olhos rapidamente. O coração quase saindo pela boca. A claridade do quarto a deixou desnorteada por um tempo. Enquanto seu coração acalmava pela realização do pesadelo que havia acabado de ter, quis esfregar as mãos nos olhos para forçar melhor visibilidade. Apesar dos esforços, não conseguia se mexer. O desespero foi voltando e todo o seu corpo tento se libertar sem sucesso. Quando finalmente piscou mais algumas vezes, conseguiu ver sua mãos presas, seus pés atados. Tentou gritar por socorro, mas percebeu que até sua boca era refém. O silêncio foi rompido finalmente, não por ela, mas por uma voz familiar:
      - Esse é seu fim, metade inocente.

Friday, January 9, 2015

Mulher é, não é

      Mulher que é mulher corre atrás do que quer, seja um emprego, seja um sonho, seja um homem, ou até mesmo outra mulher. Não tem medo de se sentir só, menos ainda de admitir que precisa de companhia. Mulher que é mulher quer ser reconhecida pelas suas conquistas e não apenas pelas curvas de seu corpo. Sabe bem que a pessoa que ela procura não se deixa enganar por aparências. Mulher que é mulher não depende de um(a) parceiro(a), muitas vezes apenas acha a vida melhor com alguém para dividi-la. Não se deixa abater por uma rejeição. Põe logo na cabeça "se não reconheceu meus valores, não merece meus defeitos". Porquê sim, defeitos têm de ser merecidos também. De que adianta amigos que vão fazer comentários degradantes sobre suas falhas invés de te ajudar a superá-las?
      Mulher que é mulher não se deixa acreditar em revistas de moda. Não é porque você não parece com uma modelo que deixa de ser bonita. Sabe também que a melhor beleza não é a que se vê, mas a que se sente, a que é percebida. Mulher que é mulher é decidida até nas indecisões. Não se deixa abalar por comentários do tipo "tinha que ser mulher". Tinha mesmo. É o que ela é: mulher! Errando ou acertando. Mulher que é mulher é insegura, assim como os homens são, assim como meninas são, assim como garotos são. Pessoa que é pessoa, humano que é humano tem o direito da insegurança. Ninguém é 100% confiante. Ninguém é 100% nada. Do que adiantaria ser 100% alguma coisa e perder a chance de ser um pouco de muito? Qual seria a graça de poder ser definida em apenas uma palavra? Na real, quem quer ser uma só palavra? O interessante é se encontrar em diversos textos, livros, citações. O interessante é ser mais do que apenas a solidão de uma coisinha só. Nem o céu que na maioria das vezes é azul, é sempre o mesmo azul. A beleza do arco-íris não está só na sua capacidade de aparecer depois da chuva, mas na sua imensidão de cores. 
      Mulher que é mulher não quer ser rotulada por sua naturalidade mensal. Não é toda mulher que fica estressada. De nada adianta "ah, você está naqueles dias, não é?". Estando ou não, ela vai ficar ainda mais naqueles dias com esse tipo de comentário. Mulher que é mulher odeia se sentir "gorda", mesmo você afirmando quinze milhões de vezes que ela não está. Mulher que é mulher é contraditória sim. Não quer ser definida em uma só palavra, mas sua insegurança muitas vezes a derruba com meias palavras. Mulher que é mulher sabe enxergar soluções. Quando não consegue sozinha, não tem medo de pedir ajuda. Mulher que é mulher sabe cozinhar, seja comida ou um homem. A propósito, mulher dorme com quantas pessoas quiser, e o mais importante se ela quiser. Não é porque ela já deu pra vinte dois, que necessariamente tem que dar pro vigésimo terceiro. Seja qual for o número, grande ou pequeno, ela decide o que satisfaz ou não.
      Mulher que é mulher tem seus momentos de menina. Mulher que é mulher é livre para ser o que bem entender. Mulher que é mulher pode ser teimosa, mas o importante é saber reconhecer mais cedo ou mais tarde quem quer seu bem e faz de tudo para ajudar. Mulher que é mulher sabe que nunca será madura o suficiente, porque a vida nunca deixa de ensinar. E ela? Ela nunca quer parar de aprender.
       

Wednesday, January 7, 2015

Wake up call

      Don't you worry about us, don't you worry about me. I made a wrong call just because I was so used to your numbers. Don't you worry, honey. Just as I got used to your voice, I can get used to some others. Go focus your beutiful lies on someone else's mind. I'm no longer prone to fall for them. I do not deny that I was stupid enough to believe your every word. Amazing charm you spread all over when you are eager to get what you want, isn't it? And no, I'm not denying, I wasn't naive at all in the beginning. I don't blame you for the start, I blame you for how it ended. Such a sutil way to deceive, almost impossible to relize I was being played.
      Again, I'm not naive. You had your secrets, I had mine, but nothing compares. Nothing compares with how your truth was in front of me and I couldn't see. You truth being worse than mine. Your truth crushing every sign of hope. And the truth is not the problem, honey, oh no. Your lie from the first step towards me that got me angry. Piling up more and more lies you've gotten under my skin. Don't you worry, once again, about the drug that's inside. You are no irreplaceble vice. I'll put myself thorugh some therapies that only alcohol can create, but little by little it will consume you from my veins. Little by little I'll throw you away, just like you threw so many dark kisses at me.
      I tell you not to worry about us or me, because I think you should spend your time worrying about yourself. Being a good player for so long gives you some blind spots, darling. I may have being played for some time, but you, aw, you were played as well. I do not walk into a dangerous field without my own tactics. So, if I'm not mistaken, I'm under your skin as deep as you are under mine. You won't admit it, you can't admit it. Your truth holds you too tight to deviate your path. Something tells me you hid all of this for one reason, the reason you can't figure out just yet. Give it some time. Give it the time to miss my touch, my scent. Give it a time to realize how much it lost along the way, so it will be too late to regret, dear. Don't bother alluring me with your realizations, it will be too late for both of us. Even if I betray my manners and get slightly inclined to accept you with open arms, it will be too late. Keep my words, true words for once: time is short for us.
   

Sunday, December 14, 2014

Segundo - Choque cultural

      É incrível como sou indisciplinada e não consigo ser pontual com meus prazos mentais, mas aqui vamos para a segunda parte de um intercâmbio incrível, e não tão glamouroso assim. Antes de qualquer mudança na vida a gente tem que estar ciente dos estágios que vamos passar para finalmente chegar na adaptação. Infelizmente, ou felizmente, eu só fui apresentada a esses estágios aqui na Holanda, com uma disciplina chamada Intercultural Communication. Devo ressaltar o quanto é bizarro assistir uma aula em que você se sente o material de estudo para todas aquelas teorias.
      Primeiro a gente passa por aquele estágio louco de pré-intercâmbio. É um misto confuso de medo, felicidade, saudade, euforia, ânsia, estresse, muito estresse. Óbvio, cada um encara esse estágio de maneira diferente, mas de uma coisa eu tenho certeza, todo mundo passou por algum momento de desespero para conseguir um documento de última hora ou algo assim. Depois que a gente viaja e dá uma recuperada na saudade, passa a se sentir mais a vontade com a nova casa, o novo quarto, vem o estágio de "férias". Tudo é novo, tudo é diferente, tudo te empolga. Para pessoas com mente aberta esse estágio é um dos melhores, pois a vontade de experimentar e vivenciar cada coisinha daquela nova cultura é fascinante. Mas nem tudo são flores, não é colega? Depois dessa fase maravilhosa chega o que é chamado de "estágio da raiva". Esse estágio é tão comprido que tem três deles. O primeiro é quando você ainda está começando a sentir aquela raiva te arranhando por dentro. Quando você cansa de falar outra língua o tempo todo e daria o mundo para poder falar como falava em casa, usar suas gírias e ser entendida(o). Uma coisa eu digo, falar com pessoas que também falam a sua língua nem sempre alivia tanto. Se não são pessoas que estão acostumadas com seu sotaque, com as gírias da região que você veio, ou até mesmo gírias internas do amiguinhos, não vai aliviar como você precisa. Não podemos deixar de lado a comida. Uma das coisas que mais me causa saudade da minha terrinha. Claro, isso é só a primeira fase da raiva, e o estudo diz que dura em torno de 3 meses. Enquanto o estágio das férias pode durar apenas semanas. Engraçado, não?
      O segundo estágio da raiva. Esse sim é "punk" (entendedores entenderão). É aquela fase que você já não aguenta mais. Os novos amigos são legais, mas não são seus amigos de longa data que estão lá na sua cidade no aguardo. O clima te irrita de modo que às vezes você nem quer sair de casa. Sim, é difícil de acreditar que às vezes sinto saudade do calor cearense. Tudo que passa pela sua cabeça é "eu quero voltar pra casa!". Não é uma fase fácil, não é para fracos e desistentes, não. Quando o choque cultural atinge, ele vem com força na sua fuça. No terceiro estágio a solidão te assola e nada da nova cultura te empolga por um bom tempo. Muitas vezes você escolhe se isolar no seu mundinho para tentar fazer mais parecido com o mundinho que te aguarda em casa.
      Não, o intercâmbio não é só sofrimento. Chega um ponto que a pessoa se adapta, claro. Ajustar-se a nova cultura não é fácil, mas é possível. Depois de um tempo você consegue enxergar não só os defeitos, mas as qualidades da nova casinha. Para as coisas que antes te aborreciam, você desenvolve estratégias para não se deixar levar. A parte ruim? Acontece pertinho da hora de você voltar para casa. Uma lástima, eu sei. Quando você finalmente atinge aquele ponto em que se encontra confortável com a nova vida, vem sua vida velha e te puxa de volta. E mais uma vez, nada de flores. Mais um choque cultural pra você se adaptar. As qualidades que você demorou tanto tempo para enxergar na nova cultura vão cutucar a velha cultura constantemente. Você vai ser aquela pessoa chata que compara tudo do seu país com o país que você morou por um tempo. Amigos de intercambistas: p a c i ê n c i a! Há estudos sobre isso, então fiquem tranquilos, essa fase também passa. Se demorar muito, pode dar um puxão de orelha e um peteleco no nariz para o amiguinho voltar a realidade. Dá um beliscão também, para ela(e) perceber que não é um pesadelo, ou sonho.
      Com tanta coisa acontecendo na vida, na cabeça de uma pessoa que passa por uma experiência dessa, nada mais justo acreditar que mudanças serão visíveis. Em alguns mais que em outros. Aquele amigo super tímido pode ter pintado o cabelo de verde e vermelho, e voltou falando pelos cotovelos. Aquela amiga que era cheia de frescura pode voltar arrotando a mesa sem vergonha alguma. As pessoas mudam, abrem os olhos, amadurecem. Para alguns, o que estava na sua cidade quando saiu, ainda vai estar do mesmo jeito, estacionado só esperando aquela nova personalidade. Mais um vez: paciência, dos dois lados.

Monday, November 17, 2014

Dezessete de novembro

      Estou aqui sentada procurando palavras na minha cabeça para colocar em um texto imerso em alívio. Nem sei ao certo do que tento me aliviar, apenas sei que preciso. É o que acontece quando a vida me propõe inconstâncias tão constantes e eu fico sem muito o que dizer ou decidir. Tentarei me manter às minhas promessas internas de escrever apenas o que não me expõe, não me dilacera, não deixa meus pedaços expostos e passíveis a análises externas.
      As noites vão passando, as sóbrias me mantêm focada na solidão e as bêbadas escancaram meu sorriso. Um pouco difícil se manter impenetrável quando lá no fundo nem sei ao certo se é exatamente o que quero. Até me pego considerando envolvimentos, amores e dores. Porque é assim, afinal de contas. Quem se sujeita a algo tão bom tem que se preparar para tudo de ruim que isso pode carregar. A vida é assim o tempo inteiro se formos entrar em miúdos. Olha, e eu sou boa com esses miúdos. Cato até os microscópicos para me preocupar. Uma habilidade raríssima, apenas mais uma das regalias que a auto-destruição te presenteia, mas isso fica para os próximos capítulos.
      Eu fico aqui martelando umas possibilidades, umas loucuras, procurando me entreter com uma lista de músicas que me inspirem a algo, mas a recente leitura crua que fiz de certa literatura me inspira a fazer semelhante. Hoje estou pronta para bonitas palavras, porém elas não me vêm com um sentido. Estou tentando manter minha promessa, prometo. Vou reorganizar esse quebra cabeça e escrever algo que seja compatível ao que eu gostaria de colocar me um texto de fato.
      Escuto uma voz cantando no meu ouvido todas as possibilidades de histórias que poderia contar. Tudo que eu posso imaginar, criar, viver fora da realidade. Apenas preciso focar em um tema, apenas preciso pegar as histórias que me surgem nas noites de embriaguez e colocar em um papel. Não deve ser tão difícil escrever palavras alcoolizadas desencadeadas pela lua, pelas estrelas, pelos olhares, pelas observações. Por tudo que se passa ao meu redor e dentro de mim enquanto estou disposta a me expor, aberta a análises. Ou seria outro estado de espírito completamente inalcançável ao estar envolta pela nuvem de sobriedade? Penso que logo irei saber, a qualidade das palavras arranjadas em um texto vai apontar minha capacidade de fantasiar mesmo estando tão fechada, tão indisponível.

Sunday, September 28, 2014

A chama que inflama

Meu bem, bem querer, bem dizer, bem amar.
Não há céu ou mar para separar.
Não há amor para diminuir, mas aumentar.
Há trem para distanciar, ônibus para aproximar.
Há chão para andar e cadeira para descansar.

Olho a lua, olha o sol.
Nunca estará só.
Se machucar, assopra.
Se não resolver, grita.

Vai faltar calor, mas não amor.
Vai sobrar saudade, mas não solidão.
Aquece o olhar com o sorrir.
Abraça com palavras, conforta com suspiros.

Confia, acredita, espera.
O que o tempo tira, traz de volta.
O tempo melhora, cura, surpreende.
O tempo...

Enfim,
Não há amor sem dor, mas há dor sem amor.
Entre um e outro,
Dispenso o adeus, prefiro até logo.