Era manhã e não estava atrasado. No dia que chegasse tarde no trabalho só poderia estar quase morrendo ou pretendendo demitir-se. Não amava o que fazia, apenas fazia. Chegava cedo por obrigação, cumprimento de regras, nada mais.
- E aê, moleque? - foi dito por aquele amigo, não amigo, chato demais para ser respondido.
Sentou a sua mesa e começou suas atividades intermináveis do dia.
Trabalhava sob pressão, não sucumbia sob pressão. Era aclamado por seus colegas, elogiado pelos seus chefes. Não era chefe, pois não lhe caía bem. Tomar conta do trabalho alheio, dar ordens, expressar opiniões de maneira rude, eram coisas que não lhe apeteciam.
Seus dois melhores amigos o esperavam para almoçar e comentar sobre o final de semana que tiveram: falar da gostosa que levaram para casa, quando na verdade deveria ser uma mulher como outra qualquer, sem muitos atrativos, pois era apenas esse tipo que aqueles dois conseguiam fisgar.
O resto do dia se arrastou correndo como todos os outros. Ao chegar em casa preparou o jantar. Um exímio cozinheiro graças à sua mãe. Apesar de solitário, não agravava mais esse quadro comendo sozinho numa mesa de quatro lugares. Apenas sentava em seu sofá confortável enquanto assistia alguns programas sem muito favoritismo.
Uma semana como a dele chega a ser deprimente para a maioria das pessoas, não tem graça ao ser contada, mas aí que mora a peculiaridade, ninguém quer saber de uma história massante do cotidiano. O interessante, no entanto, é que nenhuma história é massante o suficiente ao ponto de não merecer ser contada. Todo mundo tem pelo menos um ápice que merece ser citado em sua vida. O desinteresse com o que acontece é o que há de contagiante na vida desse homem.
No dia da sua entrevista de emprego, perguntaram:
- Qual foi uma das maiores aventuras da sua vida?
- Foi no dia que fui comprar uma barra de Sneakers na máquina, mas ela estava com problemas. Então, caíram duas.
Impossível entender como isso, de certa forma, ajudou na sua contratação. Seu local de trabalho requer muito movimento e criatividade. Os chefes estavam cansados de ouvir aventuras tão emocionantes que soavam claramente irreais. A sinceridade na voz dele ao responder soava como um sarcasmo, porém sabiam que não era. Isso impressionou.
Thursday, June 7, 2012
Balançar
Aquele balanço velho
Que não brinco mais
Uma olhada no espelho
Um coração, jamais
O galho fino que o segurava
Partiu-se em dois um mês atrás
Um no chão, o outro voava
A saudade que você me traz
O vai-e-vem desistiu
Sentou e caiu
Ninguém viu
Você partiu
Quem vai empurrar
Se ninguém quer brincar?
Prefere a roda gigante
Ao meu amor inconstante
Aquele balanço velho
Que vi na foto ontem
Hoje, me deu um conselho
Disse que você não vem
Saturday, May 5, 2012
O amor que queres
Se é um amor literário que queres
Escrevo-te séries deles
Proporciono dores minimizadas do Caio F.
Pois meu amor não é malandro como do Chico
Serei um Vinícios que entrega rosas do Pessoa
Apenas se tu regá-las até a última gota, Clarice.
Então, perdoarei como a Carolina.
Acordar-te-ei no meio da madrugada
Com o trim trim do seu telefone
Apenas para desejar-te uma magnífica noite.
Pela manhã, levarei pães, queijos, sucos
Direi que é tudo por saudade,
Mas na verdade é apenas para garantir tua saúde.
Na privacidade vou despir-te, tocar-te
Acarinhar teu ego, vestir teus desejos.
Sem medo, sem vergonha, com vontade.
Vou deixar teu apartamento todo revirado
Usar a justificativa de que estava atrás de minhas chaves
Quando, de fato, estava procurando vestígios
Pistas da infidelidade do teu sentimento.
Por que?
Meu amor vai convencer teus amigos
Teu melhor amigo vai aprovar
Serei teu amigo, amante, conselheiro.
Minhas mais belas cartas serão para ti.
Derrotarei qualquer monstro que decidir te fazer mal
Nosso amor será eterno.
E nossa eternidade será para sempre.
Todo santo dia vou abrir teu coração
E enchê-lo de elogios.
Conquistá-lo para mim.
Será todo e apenas meu.
De noitinha vou acalmar teus sonhos
Amar teu ronco, teu domínio.
Entregar-te-ei o amor que pedes
Com mil canetas e mil papéis.
Tendo certeza de que essa história
Nossa história, nunca deixará de ser escrita.
Escrevo-te séries deles
Proporciono dores minimizadas do Caio F.
Pois meu amor não é malandro como do Chico
Serei um Vinícios que entrega rosas do Pessoa
Apenas se tu regá-las até a última gota, Clarice.
Então, perdoarei como a Carolina.
Acordar-te-ei no meio da madrugada
Com o trim trim do seu telefone
Apenas para desejar-te uma magnífica noite.
Pela manhã, levarei pães, queijos, sucos
Direi que é tudo por saudade,
Mas na verdade é apenas para garantir tua saúde.
Na privacidade vou despir-te, tocar-te
Acarinhar teu ego, vestir teus desejos.
Sem medo, sem vergonha, com vontade.
Vou deixar teu apartamento todo revirado
Usar a justificativa de que estava atrás de minhas chaves
Quando, de fato, estava procurando vestígios
Pistas da infidelidade do teu sentimento.
Por que?
Meu amor vai convencer teus amigos
Teu melhor amigo vai aprovar
Serei teu amigo, amante, conselheiro.
Minhas mais belas cartas serão para ti.
Derrotarei qualquer monstro que decidir te fazer mal
Nosso amor será eterno.
E nossa eternidade será para sempre.
Todo santo dia vou abrir teu coração
E enchê-lo de elogios.
Conquistá-lo para mim.
Será todo e apenas meu.
De noitinha vou acalmar teus sonhos
Amar teu ronco, teu domínio.
Entregar-te-ei o amor que pedes
Com mil canetas e mil papéis.
Tendo certeza de que essa história
Nossa história, nunca deixará de ser escrita.
Tuesday, May 1, 2012
Quando eu..
Engraçado isso, não é? Sua capacidade de me deixar voando nas nuvens, sentir a brisa suave acariciar minhas bochechas, olhar tudo e todos de uma maneira diferente, sob uma perspectiva nova. A única coisa que consigo fazer para retribuir tudo que fazes por mim é sorrir. Não que eu não possa tentar fazer o mesmo, ou até melhor, mas é um reflexo que tenho, todo ser humano tem, abrir um sorriso sincero quando a felicidade chega sem medo.
O tempo é aliado de muitos, estou mentindo? Pena que conosco ele só mostrou ser inimigo. Apesar das boas horas que passei ao teu lado, quanto mais ficava contigo mais percebia a bomba-relógio que somos. Meio desastroso perceber que seu maior motivo de viver pode ser, também, a razão da sua morte.
Não foi de uma hora para outra que notei que estávamos cavando nossa própria cova. Foi aos poucos, sabe? Bem pouquinho mesmo. Fui me enganando e driblando as evidências de que um dia iríamos explodir.
Eu chorava, você me abraçava, dizia que tudo iria ficar bem. No entanto, sabíamos lá no fundo que "bem" não era uma palavra presente no nosso elo. Você chorava, eu limpava suas lágrimas dizendo que não havia necessidade delas estarem em seu rosto. Sabíamos, porém, que tudo que nossos olhos deveriam ver eram imagens embaçadas pela água que eles guardavam.
Já tentamos evitar tudo isso de maneiras diversas. Traiu meus beijos, enganei teus braços, brincou com minha confiança, destrocei a tua. Separamos nossos caminhos para sempre voltar para o mesmo campo de batalha e travar a mesma guerra.
Pergunto-me quantas vezes ainda vamos insistir num jogo que só tem perdedores, não pensa nisso também? Sei que podemos tentar desistir mais do que queremos, mas sempre vamos retornar ao início como se nada tivesse acontecido, ou como se tudo estivesse sumido por segundos. Xingamos, odiamos, brigamos, regressamos, amamos, rimos. É sempre assim, um vai-e-vem de bom e ruim, onde o ruim é tão forte que anula o bom, o qual não cansamos de correr atrás.
Em horas meu otimismo me faz acreditar em suas promessas e em minhas palavras. Em outras, a realidade é tão cruel que me canta o tique taque do nosso relógio explosivo. O que me mata aos poucos é não saber quando nos assassinaremos por completo.
O tempo é aliado de muitos, estou mentindo? Pena que conosco ele só mostrou ser inimigo. Apesar das boas horas que passei ao teu lado, quanto mais ficava contigo mais percebia a bomba-relógio que somos. Meio desastroso perceber que seu maior motivo de viver pode ser, também, a razão da sua morte.
Não foi de uma hora para outra que notei que estávamos cavando nossa própria cova. Foi aos poucos, sabe? Bem pouquinho mesmo. Fui me enganando e driblando as evidências de que um dia iríamos explodir.
Eu chorava, você me abraçava, dizia que tudo iria ficar bem. No entanto, sabíamos lá no fundo que "bem" não era uma palavra presente no nosso elo. Você chorava, eu limpava suas lágrimas dizendo que não havia necessidade delas estarem em seu rosto. Sabíamos, porém, que tudo que nossos olhos deveriam ver eram imagens embaçadas pela água que eles guardavam.
Já tentamos evitar tudo isso de maneiras diversas. Traiu meus beijos, enganei teus braços, brincou com minha confiança, destrocei a tua. Separamos nossos caminhos para sempre voltar para o mesmo campo de batalha e travar a mesma guerra.
Pergunto-me quantas vezes ainda vamos insistir num jogo que só tem perdedores, não pensa nisso também? Sei que podemos tentar desistir mais do que queremos, mas sempre vamos retornar ao início como se nada tivesse acontecido, ou como se tudo estivesse sumido por segundos. Xingamos, odiamos, brigamos, regressamos, amamos, rimos. É sempre assim, um vai-e-vem de bom e ruim, onde o ruim é tão forte que anula o bom, o qual não cansamos de correr atrás.
Em horas meu otimismo me faz acreditar em suas promessas e em minhas palavras. Em outras, a realidade é tão cruel que me canta o tique taque do nosso relógio explosivo. O que me mata aos poucos é não saber quando nos assassinaremos por completo.
Thursday, April 5, 2012
Incrédulo
Abandonava cada pedaço de conquista que poderia existir em sua vida assim que podia. Via galhos distorcidos em uma árvore saudável, por isso não a escalava. Vivia na sombra dos que conseguiam chegar ao topo e contentava-se com a ausência de luz em si. Não era completamente escuro, nem inteiramente iluminado, era apenas um meio termo.
Vivia de incompletos, médios e básicos:
- Seu café é forte ou fraco?
- Café.
- Sua carne é bem ou mal passada?
- No ponto.
Não era exigente, nem determinado. Fazia o suficiente para continuar vivendo. Tinha amigos, poucos deles, mas tinha. Morava só em um apartamento pequeno. No banheiro, uma escova de dentes. Na cozinha, um prato, um talher, um copo.
Vagava por aí à procura de nada e via tudo. Pequenas coisas que olhos famintos e saciados não visualizam. Uma flor sem pétalas vítima de um "bem me quer, mal me quer", um livro provavelmente bom esquecido no banco da praça, uma marca mal lavada de batom na blusa do chefe, a blusa surrada do chefe na secretária. Pouco lhe importava o que notava, não comentava com ninguém, apenas guardava para si.
Conheceu alguém no ponto de ônibus que lhe pareceu interessante, mas usava meias trocadas com tênis lavados e aquilo lhe pareceu muito contraditório para comentar algo além de:
- Suas meias não combinam.
Subir logo em seguida no ônibus que passava com a cara mais indiferente do planeta e perceber que aquela estranha havia ficado para trás, levemente confusa, visivelmente preocupada.
A garçonete da cafeteria sempre sorria com sua resposta. Sempre mandava seu telefone em um guardanapo enquanto entregava o pedido e olhava ansiosa ao disponibilizar a conta. Mesmo preço toda segunda e quinta, mesma gorjeta, mesmo celular que nunca recebia ligações daquele cliente.
Expressava pouca opinião em assuntos polêmicos, preferia ouvir o que os outros tinham a dizer. Era um homem de poucas palavras, poucas atitudes, poucos reflexos. Taciturno, atraente, apático.
Esbarrou em uma comprometida com a aliança na mão direita. Era um desligado que notava os detalhes.
- Desculpe-me.
Os lábios vermelho-sangue contorceram-se em um sorriso:
- Sem problema.
Já ele forçou um sorriso para retribuir. Continuou seu caminho para o bar enquanto ela saía com três canecas de chopp. Pediu sua água usual e voltou para a mesa dos seus amigos.
Dois homens que reclamavam da solterice, mas o melhor elogio que conseguiam dizer para uma mulher era o quanto a blusa que ela usava era bonita quando olhavam para os seios fartos indiscretamente.
Gostava daqueles idiotas, mesmo sendo tão diferente. Achava divertido a maneira como eles falavam do sexo oposto. Nunca discordava ou concordava, apenas sorria dos comentários de baixo calão.
- Por que você não pegou o telefone daquela gostosinha que você esbarrou?
- Não vale a pena.
- Como não? Peitos no lugar, bunda grande. Eu comia.
- Comprometida.
- Não tenho ciúmes.
Risadas altas daquela velha piada. Ele apenas ignorou a comédia velha e sem graça, quase tão sem graça quanto o comediante que estava no palco contando piadas mais velhas que aquela vovó surda que sempre perde a dentadura.
Olhou em volta. Todos do bar riam daquelas piadas de livro de criança, menos a garota da aliança. Apenas olhava para suas amigas e fingia gostar daquele homem no palco tanto quanto elas. Ele viu a falsidade das poucas risadas dela e aquilo lhe chamou atenção.
Quantas vezes ele havia visto olhos castanhos tão gélidos? Quantas vezes cabelos loiros eram tingidos de preto? Ela parecia querer fugir daquilo que todos gostavam. Bebia cerveja em um bar tentando esconder a cara feia em cada gole, tentava manter-se focada nas conversas de suas amigas, pouco falava, mas quando falava parecia demonstrar tanta maturidade, tanto conhecimento, que suas amigas silenciavam por algum tempo pensando "isso é tão óbvio, como não pensei isso antes?".
E aí ele sonhou com uma casa menos vazia, um banheiro com duas toalhas, uma cozinha com velas na mesa. Viu uma aliança em seu dedo, um batom vermelho-sangue em sua camisa. Sonho simples para a maioria das pessoas, mas algo muito fora do comum para ele.
Voltou à realidade. Aparentemente não havia perdido muito nos poucos segundos que foi longe em pensamento. Até que olhou para o lado e seu sonho não estava mais sentado à mesa. Deu de ombros e foi como se nada de extraordinário tivesse acontecido naquela noite. Mal sabia ele que aquilo logo seria além do ordinário...
Vivia de incompletos, médios e básicos:
- Seu café é forte ou fraco?
- Café.
- Sua carne é bem ou mal passada?
- No ponto.
Não era exigente, nem determinado. Fazia o suficiente para continuar vivendo. Tinha amigos, poucos deles, mas tinha. Morava só em um apartamento pequeno. No banheiro, uma escova de dentes. Na cozinha, um prato, um talher, um copo.
Vagava por aí à procura de nada e via tudo. Pequenas coisas que olhos famintos e saciados não visualizam. Uma flor sem pétalas vítima de um "bem me quer, mal me quer", um livro provavelmente bom esquecido no banco da praça, uma marca mal lavada de batom na blusa do chefe, a blusa surrada do chefe na secretária. Pouco lhe importava o que notava, não comentava com ninguém, apenas guardava para si.
Conheceu alguém no ponto de ônibus que lhe pareceu interessante, mas usava meias trocadas com tênis lavados e aquilo lhe pareceu muito contraditório para comentar algo além de:
- Suas meias não combinam.
Subir logo em seguida no ônibus que passava com a cara mais indiferente do planeta e perceber que aquela estranha havia ficado para trás, levemente confusa, visivelmente preocupada.
A garçonete da cafeteria sempre sorria com sua resposta. Sempre mandava seu telefone em um guardanapo enquanto entregava o pedido e olhava ansiosa ao disponibilizar a conta. Mesmo preço toda segunda e quinta, mesma gorjeta, mesmo celular que nunca recebia ligações daquele cliente.
Expressava pouca opinião em assuntos polêmicos, preferia ouvir o que os outros tinham a dizer. Era um homem de poucas palavras, poucas atitudes, poucos reflexos. Taciturno, atraente, apático.
Esbarrou em uma comprometida com a aliança na mão direita. Era um desligado que notava os detalhes.
- Desculpe-me.
Os lábios vermelho-sangue contorceram-se em um sorriso:
- Sem problema.
Já ele forçou um sorriso para retribuir. Continuou seu caminho para o bar enquanto ela saía com três canecas de chopp. Pediu sua água usual e voltou para a mesa dos seus amigos.
Dois homens que reclamavam da solterice, mas o melhor elogio que conseguiam dizer para uma mulher era o quanto a blusa que ela usava era bonita quando olhavam para os seios fartos indiscretamente.
Gostava daqueles idiotas, mesmo sendo tão diferente. Achava divertido a maneira como eles falavam do sexo oposto. Nunca discordava ou concordava, apenas sorria dos comentários de baixo calão.
- Por que você não pegou o telefone daquela gostosinha que você esbarrou?
- Não vale a pena.
- Como não? Peitos no lugar, bunda grande. Eu comia.
- Comprometida.
- Não tenho ciúmes.
Risadas altas daquela velha piada. Ele apenas ignorou a comédia velha e sem graça, quase tão sem graça quanto o comediante que estava no palco contando piadas mais velhas que aquela vovó surda que sempre perde a dentadura.
Olhou em volta. Todos do bar riam daquelas piadas de livro de criança, menos a garota da aliança. Apenas olhava para suas amigas e fingia gostar daquele homem no palco tanto quanto elas. Ele viu a falsidade das poucas risadas dela e aquilo lhe chamou atenção.
Quantas vezes ele havia visto olhos castanhos tão gélidos? Quantas vezes cabelos loiros eram tingidos de preto? Ela parecia querer fugir daquilo que todos gostavam. Bebia cerveja em um bar tentando esconder a cara feia em cada gole, tentava manter-se focada nas conversas de suas amigas, pouco falava, mas quando falava parecia demonstrar tanta maturidade, tanto conhecimento, que suas amigas silenciavam por algum tempo pensando "isso é tão óbvio, como não pensei isso antes?".
E aí ele sonhou com uma casa menos vazia, um banheiro com duas toalhas, uma cozinha com velas na mesa. Viu uma aliança em seu dedo, um batom vermelho-sangue em sua camisa. Sonho simples para a maioria das pessoas, mas algo muito fora do comum para ele.
Voltou à realidade. Aparentemente não havia perdido muito nos poucos segundos que foi longe em pensamento. Até que olhou para o lado e seu sonho não estava mais sentado à mesa. Deu de ombros e foi como se nada de extraordinário tivesse acontecido naquela noite. Mal sabia ele que aquilo logo seria além do ordinário...
Sunday, February 26, 2012
Falsear
Um lugar para chamar de meu, pois nem pensamentos satisfazem tal vontade. Mirar o que a janela guarda e ver a infinidade de oportunidades. Imaginar-se cumprindo todos os deveres e realizando todos os sonhos, mesmo assim não expressar um sorriso de vitória.
É o tédio constante que me torna quem eu sou. Sou covarde o suficiente para culpá-lo de todas as vezes que quis ser feliz e sentei meu ego. Sempre que surgia a ocasião perfeita para gritar de felicidade, eu calava de rancor.
A infância movida de instintos, adolescência de emoções, fase adulta...
Ao longo dos anos a vida ia piorando e a luta ficando muito acirrada para mim. Apavorei minhas forças, elas esconderam-se debaixo das cobertas. O escuro, no entanto, não é monstruoso, a claridade que intimida. Ver tudo como tem de ser visto acaba por cegar olhos fechados. Prefiro enxergar o breu aos contornos bem definidos das silhuetas sinceras, pois a sinceridade é uma virtude que me machucou com muita frequência. Hoje, então, escolho a ausência de verdade - não necessariamente a mentira - apenas pelo medo do que ela pode proporcionar.
Vivo no silêncio das palavras a fim de encobrir o turbilhão de ideias que minha cabeça produz. Não expresso emoção alguma diante de situações que aceleram tal turbilhão, apenas para ser imparcial, apenas para não criar vínculos e continuar na minha solidão. Minhas fraquezas já me dominam de forma que nenhuma força externa possa vencer, nenhum estímulo interno pode modificar.
Passo a achar tudo desinteressante e em certos momentos até me vem uma vontade de fugir do ócio, fugir daqui. Quando falo em fuga, não me refiro apenas ao escape mental ou emocional, falo do físico também. Visitar outro continente poderia me fazer bem, poderia me dar algum motivo além do que já imaginei para ser forte outra vez. Porém a fraqueza, como eu já disse, é muito forte. O que é irônico, pois eu sou fraca porque a fraqueza é forte e procuro forças para enfraquecer minhas fraquezas.
Chame de covardia, medo, o que quiser chamar, mas tudo que sei fazer é nada, e quando penso em fazer tudo, nada me satisfaz. Contento-me com o ócio da rotina e a mesmice das surpresas. Nada me surpreende de fato, mas faço com que os outros que insistem em fazer parte dessa minha monotonia acreditem que me deixaram admirada.
No dia que decidi ser essa tela em branco, percebi que estaria sempre atuando. Fingir que vive quando na verdade está morta, não é uma das maiores facilidades. Morri por dentro por não ter coragem de matar o todo.
É o tédio constante que me torna quem eu sou. Sou covarde o suficiente para culpá-lo de todas as vezes que quis ser feliz e sentei meu ego. Sempre que surgia a ocasião perfeita para gritar de felicidade, eu calava de rancor.
A infância movida de instintos, adolescência de emoções, fase adulta...
Ao longo dos anos a vida ia piorando e a luta ficando muito acirrada para mim. Apavorei minhas forças, elas esconderam-se debaixo das cobertas. O escuro, no entanto, não é monstruoso, a claridade que intimida. Ver tudo como tem de ser visto acaba por cegar olhos fechados. Prefiro enxergar o breu aos contornos bem definidos das silhuetas sinceras, pois a sinceridade é uma virtude que me machucou com muita frequência. Hoje, então, escolho a ausência de verdade - não necessariamente a mentira - apenas pelo medo do que ela pode proporcionar.
Vivo no silêncio das palavras a fim de encobrir o turbilhão de ideias que minha cabeça produz. Não expresso emoção alguma diante de situações que aceleram tal turbilhão, apenas para ser imparcial, apenas para não criar vínculos e continuar na minha solidão. Minhas fraquezas já me dominam de forma que nenhuma força externa possa vencer, nenhum estímulo interno pode modificar.
Passo a achar tudo desinteressante e em certos momentos até me vem uma vontade de fugir do ócio, fugir daqui. Quando falo em fuga, não me refiro apenas ao escape mental ou emocional, falo do físico também. Visitar outro continente poderia me fazer bem, poderia me dar algum motivo além do que já imaginei para ser forte outra vez. Porém a fraqueza, como eu já disse, é muito forte. O que é irônico, pois eu sou fraca porque a fraqueza é forte e procuro forças para enfraquecer minhas fraquezas.
Chame de covardia, medo, o que quiser chamar, mas tudo que sei fazer é nada, e quando penso em fazer tudo, nada me satisfaz. Contento-me com o ócio da rotina e a mesmice das surpresas. Nada me surpreende de fato, mas faço com que os outros que insistem em fazer parte dessa minha monotonia acreditem que me deixaram admirada.
No dia que decidi ser essa tela em branco, percebi que estaria sempre atuando. Fingir que vive quando na verdade está morta, não é uma das maiores facilidades. Morri por dentro por não ter coragem de matar o todo.
Sunday, February 12, 2012
O "x" da questão
Nasci para ser essa incógnita que todos vêem como o mais decidido ponto final. É uma máscara fácil de ser usada e derrubada, no entanto ninguém consegue ver com clareza o caminho que deve seguir nesse bifurcação ao me conhecer.
Faço um investimento em um presente de futuro incerto, mas quem não o faz? A única diferença é que não quero investir onde aposto minhas fichas e sou levada pela sorte, ou falta dela. Quando acho que não sei o que não quero, para finalmente descobrir o que quero, todas as cartas somem da mesa. Enquanto as procuro, canso minha mente e meu corpo. Ao descansar, encontra-as. O problema? Elas estão embaralhadas.
Parece drama, porém não é. Essas interrogações me perseguem, não o contrário. Garanto que já tentei fugir, tentei agarrar-me a um ponto final, até já encontrei alguns, mas eles vinham seguidos de um traço semi-curvado.
Essas palavras não fazem parte de um desabafo, estão mais para um explanação. Já estou conformada com eterna incerteza de minhas decisões, pois vou amar sem querer, querer sem poder, ganhar ao perder, chorar sem porquê, sorrir por dever. Serão verbos sem nexo com motivos inexistentes. Nunca farei sentido como os outros. Ninguém faz sentido, ninguém se define, ninguém se encontra por completo. Eu faço oposto, eu me erro, eu me perco por inteiro.
Faço um investimento em um presente de futuro incerto, mas quem não o faz? A única diferença é que não quero investir onde aposto minhas fichas e sou levada pela sorte, ou falta dela. Quando acho que não sei o que não quero, para finalmente descobrir o que quero, todas as cartas somem da mesa. Enquanto as procuro, canso minha mente e meu corpo. Ao descansar, encontra-as. O problema? Elas estão embaralhadas.
Parece drama, porém não é. Essas interrogações me perseguem, não o contrário. Garanto que já tentei fugir, tentei agarrar-me a um ponto final, até já encontrei alguns, mas eles vinham seguidos de um traço semi-curvado.
Essas palavras não fazem parte de um desabafo, estão mais para um explanação. Já estou conformada com eterna incerteza de minhas decisões, pois vou amar sem querer, querer sem poder, ganhar ao perder, chorar sem porquê, sorrir por dever. Serão verbos sem nexo com motivos inexistentes. Nunca farei sentido como os outros. Ninguém faz sentido, ninguém se define, ninguém se encontra por completo. Eu faço oposto, eu me erro, eu me perco por inteiro.
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