As luzes escurecendo, o corredor se distanciando. Sua imagem se modificava. Eu nunca quis nada além do que tivemos. Tudo era perfeito enquanto estava perto da sua respiração, do seu toque, do seu calor. Até a raiva que fervilhava em nossas discussões parecia melhor que qualquer beijo com qualquer outro alguém.
Meu corpo não correspondia aos meus desejos e eu não conseguia lutar contra aquela força, pois não tinha mais suor, imagine sangue para guerrilhar com unhas e dentes pela única coisa que balançava minhas pernas, cansava minha mente, vencia minha dor. Queria te ter para mim e nada mais seria necessário. Meu diabinho, no entanto, gritava no pé do meu ouvido "você precisa crescer". Nunca havia entendido o apelo do maldito até o dia em que sorrir depois de muita lágrima não anulou o sofrimento.
Pedir desculpas não vai desfazer qualquer uma das minhas atitudes que te fizeram correr de mim. Mesmo que eu tivesse essa opção, não iria escolhê-la. Entendi o que quer dizer crescer, o que quer dizer finalmente perceber que o que eu achava que me levava para frente só me puxava para trás. Não me leve a mal. Eu te amava. Mentira. Eu te amo. Não consigo parar de pensar em todas as cenas de reconciliação para o dois que já foi um.
Aqui estou, fragilizada por dentro, machucada, cansada, saturada. Quero seus olhos fitando os meus, quero me humilhar chorando aos seus pés e fazer tudo voltar ao primeiro momento de nossas vidas entrelaçadas. Fico em pé, parada. Deixo o corredor embaçar sua figura. Não corro, não grito. Fico ali, deixando o curso natural das coisas curarem essa vontade, esse amor malcriado. Viro minhas costas para aquilo que um dia chamei de "para sempre", dessa vez eu caminho, não na direção que me puxava para o fracasso, mas na direção que eu julguei ser sucesso. Quebrei as correntes invisíveis, joguei o cadeado no lago dos sem salvação. Libertei o que costumava chamar de "eu".
Friday, November 2, 2012
Saturday, September 22, 2012
Novo usado
Ela já estava provocando seus hormônios por muito tempo. Aquelas curvas perigosas faziam seu corpo querer cavalgar numa viagem. Por muito tempo ele estava sendo enganado, seduzido, rejeitado. Não era o bonzinho da história, pois nunca havia sido paspalho. Era persistente, tão persistente que caiu de joelhos por aqueles joelhos. Não costumava ter dificuldade com mulheres, porém não é daquele tipo que usa e joga fora. Também não faz o tipo compromissado, mas tem bom coração.
Um beijo em um dia, nem olhar na cara no outro. Ela é megera, sabe que pode ter quem quiser em suas mãos. Até quem ela não quer, se dá ao trabalho de querê-la. Ele sabia que estava sendo enrolado, isso, no entanto, só fazia com que ele gostasse ainda mais do desafio.
No começo tinha a melhor das piores das intenções. Foi movido pelo desejo, confessava. O tempo foi maldito e o carinho foi surgindo. Pegou-se preso naquele jogo que ela criava com todo cara que despertava interesse. Infelizmente ele ficou entre aqueles peões que carregam um fardo até o fim do jogo. Os peões espertos ganham depressa ou abandonam cedo, nunca ficam tempo suficiente para colocarem o coração em jogo. Sendo burro como uma porta, procurava qualquer oportunidade para não só ganhar, mas conquistar a vitória. Parece a mesma coisa, mas é bem diferente. Ganhar pode ser de mão beijada ou por W.O. Conquista tem suor. Se fosse simples, já poderia ser considerado vencedor, pois nos finais de festa em que os peões desistiam, ele continuava ali. Ela, para não sair no prejuízo, concedia uma chance. Um contato que nunca saiu do bar, da rave, da boate, ou de qualquer festa que estavam.
Ele suava, investia, tentava, corria. Ela? Esquentava, quebrava, desistia, fugia. A mulher não era só sensualidade, era interesse. A garota não era só sutileza, era furacão. Várias facetas num só corpo quente de peito congelado. Era uma armadilha, era inferno, no entanto, ele não acreditava em Deus. Confiava em si, ela dizia que não era isso que queria.
- O que quer então?
Um homem, um bandido, um fora da lei. Alguém que fizesse com ela o crime que ela era acusada de cometer. Ela queria um cara independente, livre e inteligente. Beleza não era nada, conquanto tivesse uma casa. Calúnia, ela queria riqueza. Rico de dinheiro, beleza, coragem e esperteza.
Era inteligente, quase independente. Tinha carro, só não era BMW. Era bonito o suficiente para arrancar um sorriso de qualquer rosto feminino. Precisava ser melhor. Se moldou, mudou. Era tudo que ela poderia querer sem fugir do próprio ser.
- Aí, meu caro, que você está enganado. Você não pode ser, tem que fingir - disse um peão que já havia desistido do jogo.
Ele ignorou e continuou no jogo. Rolando dados, pulando espaços. O tabuleiro só aumentava e o prêmio nunca chegava para ficar.
Na festa lotada, tinha mais uns quatro peões. A concorrência era grande, mas ele estava crente. Por muito tempo ela tinha feito promessas da boca para fora, que nessa noite ele iria cobrar. Buscando ganhar a noite, encontrou um concorrente segurando o prêmio, passando a mão no ouro reluzente, beijando o troféu. Foi a última cartada. O som da festa quase excedendo as batidas de seu coração. Suas veias saltavam de raiva. Tanto tempo tendo a cara pisada, as bolas chutadas, sido rejeitado como um qualquer. Era a hora da virada. A partida acabou ali. O jogo mudou. Daí em diante ele decidiu ditar as regras. Parou de ser, resolveu fingir. De jogador, virou mediador.
Não olhou na cara, não pediu beijo. Virou de costas, não foi embora. Queria ficar ali, perturbando a consciência do juízo que estava perdido na cabeça daquela garota. Ela notou sua presença depois de esfregar na cara que ele perdeu. Ele, por sua vez, já estava propondo um novo jogo, dando atenção a novas garotas, esfregando na cara que ela não era mais ninguém.
Um beijo em um dia, nem olhar na cara no outro. Ela é megera, sabe que pode ter quem quiser em suas mãos. Até quem ela não quer, se dá ao trabalho de querê-la. Ele sabia que estava sendo enrolado, isso, no entanto, só fazia com que ele gostasse ainda mais do desafio.
No começo tinha a melhor das piores das intenções. Foi movido pelo desejo, confessava. O tempo foi maldito e o carinho foi surgindo. Pegou-se preso naquele jogo que ela criava com todo cara que despertava interesse. Infelizmente ele ficou entre aqueles peões que carregam um fardo até o fim do jogo. Os peões espertos ganham depressa ou abandonam cedo, nunca ficam tempo suficiente para colocarem o coração em jogo. Sendo burro como uma porta, procurava qualquer oportunidade para não só ganhar, mas conquistar a vitória. Parece a mesma coisa, mas é bem diferente. Ganhar pode ser de mão beijada ou por W.O. Conquista tem suor. Se fosse simples, já poderia ser considerado vencedor, pois nos finais de festa em que os peões desistiam, ele continuava ali. Ela, para não sair no prejuízo, concedia uma chance. Um contato que nunca saiu do bar, da rave, da boate, ou de qualquer festa que estavam.
Ele suava, investia, tentava, corria. Ela? Esquentava, quebrava, desistia, fugia. A mulher não era só sensualidade, era interesse. A garota não era só sutileza, era furacão. Várias facetas num só corpo quente de peito congelado. Era uma armadilha, era inferno, no entanto, ele não acreditava em Deus. Confiava em si, ela dizia que não era isso que queria.
- O que quer então?
Um homem, um bandido, um fora da lei. Alguém que fizesse com ela o crime que ela era acusada de cometer. Ela queria um cara independente, livre e inteligente. Beleza não era nada, conquanto tivesse uma casa. Calúnia, ela queria riqueza. Rico de dinheiro, beleza, coragem e esperteza.
Era inteligente, quase independente. Tinha carro, só não era BMW. Era bonito o suficiente para arrancar um sorriso de qualquer rosto feminino. Precisava ser melhor. Se moldou, mudou. Era tudo que ela poderia querer sem fugir do próprio ser.
- Aí, meu caro, que você está enganado. Você não pode ser, tem que fingir - disse um peão que já havia desistido do jogo.
Ele ignorou e continuou no jogo. Rolando dados, pulando espaços. O tabuleiro só aumentava e o prêmio nunca chegava para ficar.
Na festa lotada, tinha mais uns quatro peões. A concorrência era grande, mas ele estava crente. Por muito tempo ela tinha feito promessas da boca para fora, que nessa noite ele iria cobrar. Buscando ganhar a noite, encontrou um concorrente segurando o prêmio, passando a mão no ouro reluzente, beijando o troféu. Foi a última cartada. O som da festa quase excedendo as batidas de seu coração. Suas veias saltavam de raiva. Tanto tempo tendo a cara pisada, as bolas chutadas, sido rejeitado como um qualquer. Era a hora da virada. A partida acabou ali. O jogo mudou. Daí em diante ele decidiu ditar as regras. Parou de ser, resolveu fingir. De jogador, virou mediador.
Não olhou na cara, não pediu beijo. Virou de costas, não foi embora. Queria ficar ali, perturbando a consciência do juízo que estava perdido na cabeça daquela garota. Ela notou sua presença depois de esfregar na cara que ele perdeu. Ele, por sua vez, já estava propondo um novo jogo, dando atenção a novas garotas, esfregando na cara que ela não era mais ninguém.
Wednesday, September 5, 2012
Adeus por escrito
Oi,
você que encontrou essa carta pode, por favor, deixá-la no endereço que está escrito no verso? A pessoa que lá reside saberá o que fazer.
É muito estranho escrever uma carta que você nem tem certeza se vai ser lida. Eu quero e não quero que minhas letras mal escritas sejam decifradas. É tudo muito incerto e confuso nesse ponto. Queria poder me despedir, mas penso que ir embora sem dar as caras é mais fácil, menos doloroso. Não aguentaria ver lágrimas, lábios retorcidos. Não, eu desistiria de partir. Eu tenho que ir, eu preciso.
Queria agradecer por tudo que todos fizeram por mim. Todo carinho que recebi da minha família mesmo sendo pouco, todo apoio que recebi dos meus muitos amigos. Lembro com gosto dos sorrisos que compartilhei,dos abraços que me foram oferecidos, os apertos de mão que fecharam negócios, as mãos nos fios que acalmaram o coração.
O problema, meu maior motivo, é que não consigo esquecer de maneira alguma os momentos ruins, sofridos, torturantes. Pai, não é minha culpa se a mamãe te traiu. Eu tinha sete anos, por Deus! Não me culpe pela sua desgraça. Mãe, eu fiquei com você porque o papai não me amava, ou pelo menos não parecia amar. Desculpa, mas eu não suportava metade das suas exigências e reclamações. Eu amo vocês, porém não sei viver com vocês. E é isso que estou fazendo, indo embora. Tudo que eu sempre quis fazer, finalmente vai dar certo.
Dani, você pode ficar com a Zezé, tá? Não posso levá-la comigo, a viagem não permite. Olha, ela só come ração, e duas vezes por dia. E quanto à água, tem que mudar todo dia, porque ela não gosta de água velha. Ficarei muito feliz se puder fazer isso por mim, tá? Desculpa por não ter te dado muita atenção nas últimas semanas, sei que você vai entender meus motivos. Eu estava mal, cheguei à última gota e passei dela. Minha raiva transbordou. Virei uma panela de pressão, e eu não queria explodir. Você não merece, não me merece. Eu te amo, por isso estou embarcando nessa jornada só. Quero que você vá viver sua vida e ser feliz, porque é isso que nunca consegui te proporcionar por inteiro, felicidade.
Ah, perdoe as marcas de lágrima que possam acidentalmente molhar o papel. Cheguei a um ponto que não consigo mais controlar o rio que sai de meus olhos.
Não terei muito tempo para explicar minha decisão, pois calculei meu tempo errado e o trem já está chegando. Amigos, não sintam minha falta nas festas, nos bares, nos cantos das boates. Sei que já nem sentem, pois me distanciei já faz uns tempos. Vivam, meus queridos, vivam! Aproveitem por mim na minha ausência. Serei uma pessoa eternamente grata se fizerem isso por mim, por vocês.
Cinco minutos para o trem chegar, é melhor eu finalizar logo isso tudo. Qualquer coisa, quem ainda tem dúvida perante minha decisão, perguntem aos meus pais. Eles receberam uma carta semelhante a essa, no entanto a deles, ah, a deles... a carta deles é cheia de palavras feias, cheia de motivos, cheia de dor, desespero. Espero que eles não me odeiem depois de ler. Ou foda-se, que me odeiem. Estou indo embora para nunca mais voltar mesmo.
Já escuto o trem, tenho que correr. Vou me apressar pela última vez. Está chegando, eu sinto o chão tremer com minhas pernas. Eu tenho forças.. preciso corr
você que encontrou essa carta pode, por favor, deixá-la no endereço que está escrito no verso? A pessoa que lá reside saberá o que fazer.
É muito estranho escrever uma carta que você nem tem certeza se vai ser lida. Eu quero e não quero que minhas letras mal escritas sejam decifradas. É tudo muito incerto e confuso nesse ponto. Queria poder me despedir, mas penso que ir embora sem dar as caras é mais fácil, menos doloroso. Não aguentaria ver lágrimas, lábios retorcidos. Não, eu desistiria de partir. Eu tenho que ir, eu preciso.
Queria agradecer por tudo que todos fizeram por mim. Todo carinho que recebi da minha família mesmo sendo pouco, todo apoio que recebi dos meus muitos amigos. Lembro com gosto dos sorrisos que compartilhei,dos abraços que me foram oferecidos, os apertos de mão que fecharam negócios, as mãos nos fios que acalmaram o coração.
O problema, meu maior motivo, é que não consigo esquecer de maneira alguma os momentos ruins, sofridos, torturantes. Pai, não é minha culpa se a mamãe te traiu. Eu tinha sete anos, por Deus! Não me culpe pela sua desgraça. Mãe, eu fiquei com você porque o papai não me amava, ou pelo menos não parecia amar. Desculpa, mas eu não suportava metade das suas exigências e reclamações. Eu amo vocês, porém não sei viver com vocês. E é isso que estou fazendo, indo embora. Tudo que eu sempre quis fazer, finalmente vai dar certo.
Dani, você pode ficar com a Zezé, tá? Não posso levá-la comigo, a viagem não permite. Olha, ela só come ração, e duas vezes por dia. E quanto à água, tem que mudar todo dia, porque ela não gosta de água velha. Ficarei muito feliz se puder fazer isso por mim, tá? Desculpa por não ter te dado muita atenção nas últimas semanas, sei que você vai entender meus motivos. Eu estava mal, cheguei à última gota e passei dela. Minha raiva transbordou. Virei uma panela de pressão, e eu não queria explodir. Você não merece, não me merece. Eu te amo, por isso estou embarcando nessa jornada só. Quero que você vá viver sua vida e ser feliz, porque é isso que nunca consegui te proporcionar por inteiro, felicidade.
Ah, perdoe as marcas de lágrima que possam acidentalmente molhar o papel. Cheguei a um ponto que não consigo mais controlar o rio que sai de meus olhos.
Não terei muito tempo para explicar minha decisão, pois calculei meu tempo errado e o trem já está chegando. Amigos, não sintam minha falta nas festas, nos bares, nos cantos das boates. Sei que já nem sentem, pois me distanciei já faz uns tempos. Vivam, meus queridos, vivam! Aproveitem por mim na minha ausência. Serei uma pessoa eternamente grata se fizerem isso por mim, por vocês.
Cinco minutos para o trem chegar, é melhor eu finalizar logo isso tudo. Qualquer coisa, quem ainda tem dúvida perante minha decisão, perguntem aos meus pais. Eles receberam uma carta semelhante a essa, no entanto a deles, ah, a deles... a carta deles é cheia de palavras feias, cheia de motivos, cheia de dor, desespero. Espero que eles não me odeiem depois de ler. Ou foda-se, que me odeiem. Estou indo embora para nunca mais voltar mesmo.
Já escuto o trem, tenho que correr. Vou me apressar pela última vez. Está chegando, eu sinto o chão tremer com minhas pernas. Eu tenho forças.. preciso corr
Sunday, September 2, 2012
Sem título (1)
Alguns copos vazios esperando mais cerveja. Uma roda de amigos e conhecidos. Alguns violões, várias vozes, poucas belas o suficiente para tornar a música espetacular. O que importava era o momento: risadas, danças, amores. Naquela noite, nada era cinza, ainda que estivesse escuro. Bastava a fogueira vermelha e amarela iluminando o sorriso de cada um que estava ali para comprovar a alegria que se instalara.
"Fuga" era o nome que havia sido estabelecido para aquele lual. O número de copos não ultrapassava a faixa dos 30. Ela foi ainda que não conhecesse muitas daquelas mãos que seguravam os copos. Não era a garota mais sociável dali, mas gostava de estar envolta de pessoas a fim de curtirem a mesma sensação, queriam apenas fugir de todos os problemas que enfrentavam semana a semana, fosse em casa, na faculdade, nos relacionamentos. O importante era sorrir sem medo da inveja.
Estava hospedada na casa da dona de um dos quatro violões que eram tocados naquela roda. Já havia desenvolvido uma certa intimidade com duas ou três pessoas dali. O resto poderia ter visto antes, até saber o nome, porém não sentia-se confortável o suficiente para conversar.
Bebia, ainda que pouco. Tinha o interesse de ficar alegre no álcool, mas não tinha pressa:
- Mais?
- Calma! Ainda nem terminei esse - um quarto de sorriso, um quarto de cerveja no copo.
As melodias variavam de animadas a calmas sem muita reclamação. Todos cantavam como se fossem as músicas mais contagiantes eleitas pelo top 10 da MTV. Conhecendo boa parte delas, sua voz tímida acompanhava de leve cada canção. Tinha consciência de que não era a melhor cantora do mundo, por isso procurava poupar os que poderiam ouvir seu canto. Sua amiga conseguia ir do grave ao agudo em segundos, isenta de desafinações.
Qualquer um poderia sugerir uma música. Funcionava como um karaokê. Quer uma música? Tem que cantá-la. É claro que era provável que todos acompanhassem, no entanto sempre deveria haver alguém que puxasse o coro. Não sabe tocar violão? Pede para alguém tocar para você. Era uma forma simples e humilde de todos participarem de um bom momento. Claramente que alguns cantavam mais que outros, mas a maioria tinha seu solo preservado.
Passaram-se algumas horas. Além de músicas, brincadeiras, piadas, histórias. Todos já estavam sob efeito da cevada com uma pequena porcentagem de álcool. Muitos dançavam; alguns se despiam, - não por completo - mas logo vestiam-se de novo, pois o frio não permitia muita exposição.
Um rosto não muito familiar sugeriu uma música.
- Você quer o violão?
- Manda aí. - as mãos desocupadas de copos passavam o violão para o garoto.
Virou o que restava da cerveja, depositou a caneca ao lado. Limpou a garganta, preparou o violão, respirou fundo. Bastou a primeira rima da canção para deixá-la estupefata. Aquela voz agradava seus ouvidos de modo que, mesmo sendo uma das suas músicas preferidas, não conseguia acompanhar. Ou melhor, optou em não acompanhar para não atrapalhar. Não foi a única. Alguns cantavam junto, porém baixinho, apenas para sentirem-se no clima tanto quanto o cantor.
De olhos fechados ele sentia o som e transmitia a sensação. A roda dançava apenas com a cabeça na harmonia que os dedos dele passavam pelas cordas. Ao fim, aplausos. Já ela, não contendo-se, urrou de leve. Todos gargalharam e urraram em apoio. O garoto pouco envergonhado, levantou-se e fez aquele velho agradecimento de ator depois que as cortinas se fecham e os personagens são guardados.
Mais garrafas foram requisitadas e ela resolveu acompanhar sua amiga e seu amigo ao carro. Não estava muito longe, mas o isopor onde as cervejas estavam era pesado. Três pessoas eram o bastante para trocar o gelo e renovar as garrafas.
Giovani perguntou pelas chaves:
- Estão comigo. - ela garantiu.
- Ela é mais responsável do que eu. Sabe como fico quando bebo, não é? - Laila falou já com a voz arrastada e a risada na ponta da língua.
- Sim, Lai. Eu sei - a risada dele não negava a alteração que estava surgindo. Então ele envolveu os braços na dona do carro e beijou sua bochecha, enquanto Olive caçoava daqueles bêbados.
Abriram o porta-mala que ainda continha garrafa o suficiente para o amanhecer. Adicionaram mais gelo, mais garrafa, mais garrafas.
- Vamos fazer um brinde?
- Brinde? Para - o soluço de Laila interrompeu sua fala - o que, Gio?
- Para esta noite, ué. Vocês, eu, nosso lindo menage - risadas intermináveis do trio.
- Até parece, não é? - disse Laila e Olive concordou.
- Ei.. - uma voz externa entoou.
Os três olharam curiosos. Era o garoto da voz contagiante.
- E aí, cara? Mandou bem naquela música, viu?
- Valeu, cara. - sorriu sem jeito para o bêbado Giovani - Rola um copo antes de vocês levarem para lá? Porque mal bebi. Essa gente parece que nunca mais vai beber na vida.
- Claro! Toma aqui. - despejou na caneca dele, aproveitando para encher o copo das meninas e o próprio - Ah! Esse é o Hugo. Hugo, essa é a Olive e a Laila. Não sei se lembra da Laila.
- A gente se conheceu no boliche há duas semanas, não foi? - ela confirmou - lembro sim.
- Enfim! Estávamos fazendo um brinde, quer se juntar?
- Com certeza, cara!
- À noite inesquecível que estamos tendo!
Todos brindaram e viraram seus copos até não sobrar nem uma gota para contar história.
Isopor cheio, mãos à obra. Não havia necessidade, mas os quatro contribuíram no transporte do isopor pelos quarenta metros que os distanciavam da fogueira.
Chegando lá, a música parou e todos comemoraram por ter mais cerveja para se embriagarem. Laila pegou uma garrafa e Giovani a acompanhou até a toalha que estavam sentados. Hugo olhou para Olive procurando lembrar daquele rosto, não teve muito sucesso:
- A gente já se conhecia?
"Fuga" era o nome que havia sido estabelecido para aquele lual. O número de copos não ultrapassava a faixa dos 30. Ela foi ainda que não conhecesse muitas daquelas mãos que seguravam os copos. Não era a garota mais sociável dali, mas gostava de estar envolta de pessoas a fim de curtirem a mesma sensação, queriam apenas fugir de todos os problemas que enfrentavam semana a semana, fosse em casa, na faculdade, nos relacionamentos. O importante era sorrir sem medo da inveja.
Estava hospedada na casa da dona de um dos quatro violões que eram tocados naquela roda. Já havia desenvolvido uma certa intimidade com duas ou três pessoas dali. O resto poderia ter visto antes, até saber o nome, porém não sentia-se confortável o suficiente para conversar.
Bebia, ainda que pouco. Tinha o interesse de ficar alegre no álcool, mas não tinha pressa:
- Mais?
- Calma! Ainda nem terminei esse - um quarto de sorriso, um quarto de cerveja no copo.
As melodias variavam de animadas a calmas sem muita reclamação. Todos cantavam como se fossem as músicas mais contagiantes eleitas pelo top 10 da MTV. Conhecendo boa parte delas, sua voz tímida acompanhava de leve cada canção. Tinha consciência de que não era a melhor cantora do mundo, por isso procurava poupar os que poderiam ouvir seu canto. Sua amiga conseguia ir do grave ao agudo em segundos, isenta de desafinações.
Passaram-se algumas horas. Além de músicas, brincadeiras, piadas, histórias. Todos já estavam sob efeito da cevada com uma pequena porcentagem de álcool. Muitos dançavam; alguns se despiam, - não por completo - mas logo vestiam-se de novo, pois o frio não permitia muita exposição.
Um rosto não muito familiar sugeriu uma música.
- Você quer o violão?
- Manda aí. - as mãos desocupadas de copos passavam o violão para o garoto.
Virou o que restava da cerveja, depositou a caneca ao lado. Limpou a garganta, preparou o violão, respirou fundo. Bastou a primeira rima da canção para deixá-la estupefata. Aquela voz agradava seus ouvidos de modo que, mesmo sendo uma das suas músicas preferidas, não conseguia acompanhar. Ou melhor, optou em não acompanhar para não atrapalhar. Não foi a única. Alguns cantavam junto, porém baixinho, apenas para sentirem-se no clima tanto quanto o cantor.
De olhos fechados ele sentia o som e transmitia a sensação. A roda dançava apenas com a cabeça na harmonia que os dedos dele passavam pelas cordas. Ao fim, aplausos. Já ela, não contendo-se, urrou de leve. Todos gargalharam e urraram em apoio. O garoto pouco envergonhado, levantou-se e fez aquele velho agradecimento de ator depois que as cortinas se fecham e os personagens são guardados.
Mais garrafas foram requisitadas e ela resolveu acompanhar sua amiga e seu amigo ao carro. Não estava muito longe, mas o isopor onde as cervejas estavam era pesado. Três pessoas eram o bastante para trocar o gelo e renovar as garrafas.
Giovani perguntou pelas chaves:
- Estão comigo. - ela garantiu.
- Ela é mais responsável do que eu. Sabe como fico quando bebo, não é? - Laila falou já com a voz arrastada e a risada na ponta da língua.
- Sim, Lai. Eu sei - a risada dele não negava a alteração que estava surgindo. Então ele envolveu os braços na dona do carro e beijou sua bochecha, enquanto Olive caçoava daqueles bêbados.
Abriram o porta-mala que ainda continha garrafa o suficiente para o amanhecer. Adicionaram mais gelo, mais garrafa, mais garrafas.
- Vamos fazer um brinde?
- Brinde? Para - o soluço de Laila interrompeu sua fala - o que, Gio?
- Para esta noite, ué. Vocês, eu, nosso lindo menage - risadas intermináveis do trio.
- Até parece, não é? - disse Laila e Olive concordou.
- Ei.. - uma voz externa entoou.
Os três olharam curiosos. Era o garoto da voz contagiante.
- E aí, cara? Mandou bem naquela música, viu?
- Valeu, cara. - sorriu sem jeito para o bêbado Giovani - Rola um copo antes de vocês levarem para lá? Porque mal bebi. Essa gente parece que nunca mais vai beber na vida.
- Claro! Toma aqui. - despejou na caneca dele, aproveitando para encher o copo das meninas e o próprio - Ah! Esse é o Hugo. Hugo, essa é a Olive e a Laila. Não sei se lembra da Laila.
- A gente se conheceu no boliche há duas semanas, não foi? - ela confirmou - lembro sim.
- Enfim! Estávamos fazendo um brinde, quer se juntar?
- Com certeza, cara!
- À noite inesquecível que estamos tendo!
Todos brindaram e viraram seus copos até não sobrar nem uma gota para contar história.
Isopor cheio, mãos à obra. Não havia necessidade, mas os quatro contribuíram no transporte do isopor pelos quarenta metros que os distanciavam da fogueira.
Chegando lá, a música parou e todos comemoraram por ter mais cerveja para se embriagarem. Laila pegou uma garrafa e Giovani a acompanhou até a toalha que estavam sentados. Hugo olhou para Olive procurando lembrar daquele rosto, não teve muito sucesso:
Friday, August 24, 2012
Falar, calar
Cansada de começar tanto texto sem fim. Poderia juntar todos eles num só e fazer um corpo robusto, no entanto, sem simetria. É frustrante. Tantos pensamentos com beleza inicial e sem face no final. Vontade de representar raiva, amor, dor, tristeza. O que há de novo? Nada é novo, nada é velho. Tudo é renovado.
O mais engraçado disso tudo são os clichês que tanto encontramos nesse século sobre cada um dos temas. No amor os olhos brilham e o coração acelera. Na tristeza as lágrimas caem e o peito dói. Na dor não há fim, muito menos esperança. Pegue um amor de oitocentos anos atrás, ele será tão diferente dos de hoje. Tão mais belo, mais idealizado. Queria poder ter aquilo. Aquela inspiração que inova, não renova, nem reutiliza.
A vida vai mudando de monotonia em monotonia, que de alguma forma exercem algo extraordinário na nossa mente, na nossa personalidade. Queria subtrair meus bloqueios de escritas pessoais, mas não consigo. Apenas em comentar sobre bloqueios, me sinto expondo demais, me sinto insegura.
Quem nunca teve medo de falar sobre algo que sentia lá dentro das entranhas? Até as pessoas que julgam ser um livro aberto, se esforçam para omitir algumas letras. Tantos segredos carregados por anos que algumas vezes morrem, outras são compartilhados no último segundo apenas para livrar do fardo. Já vi ateus se confessarem, medrosos sussurrarem no escuro. Os absurdos são inúmeros quando o assunto é "peso nas costas".
As pessoas que cometem erros e os guardam no fundo do mar, vivem tempos querendo perdão, porém há o medo da rejeição. Até que chega o momento em que o peso é tão grande que elas passam a rastejar, e só a água alivia a dor. O peso não para de aumentar e elas resolvem mergulhar lá no fundo mais obscuro e libertam o que guardavam ali. Não mais querem perdão, desejam apenas descanso, alívio.
De errado não há nada quando se trata do medo de se expor, o único problema é quando esse medo passa a ser maior do que sua coragem de viver. Há o limite da fala e limite do silêncio. A pergunta é: sabemos qual é esse limite?
O mais engraçado disso tudo são os clichês que tanto encontramos nesse século sobre cada um dos temas. No amor os olhos brilham e o coração acelera. Na tristeza as lágrimas caem e o peito dói. Na dor não há fim, muito menos esperança. Pegue um amor de oitocentos anos atrás, ele será tão diferente dos de hoje. Tão mais belo, mais idealizado. Queria poder ter aquilo. Aquela inspiração que inova, não renova, nem reutiliza.
A vida vai mudando de monotonia em monotonia, que de alguma forma exercem algo extraordinário na nossa mente, na nossa personalidade. Queria subtrair meus bloqueios de escritas pessoais, mas não consigo. Apenas em comentar sobre bloqueios, me sinto expondo demais, me sinto insegura.
As pessoas que cometem erros e os guardam no fundo do mar, vivem tempos querendo perdão, porém há o medo da rejeição. Até que chega o momento em que o peso é tão grande que elas passam a rastejar, e só a água alivia a dor. O peso não para de aumentar e elas resolvem mergulhar lá no fundo mais obscuro e libertam o que guardavam ali. Não mais querem perdão, desejam apenas descanso, alívio.
De errado não há nada quando se trata do medo de se expor, o único problema é quando esse medo passa a ser maior do que sua coragem de viver. Há o limite da fala e limite do silêncio. A pergunta é: sabemos qual é esse limite?
Sunday, June 24, 2012
AÇÃO
Vez ou outra a gente para e pensa que quer mudar. Nós mesmos, o mundo. Queremos fazer a diferença na humanidade. Tem gente que nasce para marcar a história, outros para marcar indivíduos. O que você prefere? Fazer uma singela grandiosa mudança no coração de alguns, ou tocar o coração do mundo?
É uma vocação, sabia? Essa de ter um poder de liderança tamanho que domina de maneira positiva - às vezes negativa - cada cérebro são. Penso eu que os que se deixam liderar de maneira negativa se encontram em duas categorias: sem cérebro ou cérebro desprotegido.
O que importa nisso tudo é que tenhas sanidade. Um cérebro bom faz boas escolhas, pode até liderar as pessoas que desejam fazer boas escolhas, mas são medrosas para começarem sozinhas.
São momentos pontuais que nos incitam de maneira mais preponderante a querer fazer uma diferença durante nossa existência. Pode ser algo que presencias no dia, uma música que escutas, um filme que assistes, uma pessoa que conheces.
Onde quero chegar com isso? Onde nunca chegamos: na ação. Depois desses momentos extraordinários que mexem com nossos pensamentos e sentimentos passamos apenas alguns minutos com aquela vontade extrema de marcar, de fazer algo pelo qual valha a pena viver. Não é verdade? Não julgo, já o fiz. Na verdade, o faço. Provável que eu seja uma dessas pessoas covardes que não conseguem tomar a iniciativa por conta própria.
Muitas vezes vi vídeos que me fizeram chorar pela beleza da coragem, pela dor do arrependimento dos personagens, das pessoas que estavam sendo filmadas. Conheci seres humanos invencíveis. Não conheci um super herói como os quadrinhos mostram, conheci super pessoas. Uma mulher que teve seu filho levado pelas drogas e ao invés de ficar no luto por anos, tomou a iniciativa de criar uma ONG para evitar que os filhos de outras pessoas fossem levados por completo. Uma criança que tem dificuldade de falar, andar, escrever, porém não tem a mínima dificuldade de amar. Pessoas assim não lhe dão vontade de ser alguém melhor?
É uma vocação, sabia? Essa de ter um poder de liderança tamanho que domina de maneira positiva - às vezes negativa - cada cérebro são. Penso eu que os que se deixam liderar de maneira negativa se encontram em duas categorias: sem cérebro ou cérebro desprotegido.
O que importa nisso tudo é que tenhas sanidade. Um cérebro bom faz boas escolhas, pode até liderar as pessoas que desejam fazer boas escolhas, mas são medrosas para começarem sozinhas.
São momentos pontuais que nos incitam de maneira mais preponderante a querer fazer uma diferença durante nossa existência. Pode ser algo que presencias no dia, uma música que escutas, um filme que assistes, uma pessoa que conheces.
Onde quero chegar com isso? Onde nunca chegamos: na ação. Depois desses momentos extraordinários que mexem com nossos pensamentos e sentimentos passamos apenas alguns minutos com aquela vontade extrema de marcar, de fazer algo pelo qual valha a pena viver. Não é verdade? Não julgo, já o fiz. Na verdade, o faço. Provável que eu seja uma dessas pessoas covardes que não conseguem tomar a iniciativa por conta própria.
Muitas vezes vi vídeos que me fizeram chorar pela beleza da coragem, pela dor do arrependimento dos personagens, das pessoas que estavam sendo filmadas. Conheci seres humanos invencíveis. Não conheci um super herói como os quadrinhos mostram, conheci super pessoas. Uma mulher que teve seu filho levado pelas drogas e ao invés de ficar no luto por anos, tomou a iniciativa de criar uma ONG para evitar que os filhos de outras pessoas fossem levados por completo. Uma criança que tem dificuldade de falar, andar, escrever, porém não tem a mínima dificuldade de amar. Pessoas assim não lhe dão vontade de ser alguém melhor?
* o vídeo está com legendas em inglês. Vale a penas assistir.
É apenas uma propaganda, no entanto, mexe tanto com nossos pensamentos, nossos ideais. Quais são seus sonhos? Neles está incluso mudar a vida de alguém para melhor? Ser alguém melhor para outra vida? Há uma frase que muitos já viram por aí, mas que vale a pena repetir para aqueles que temem fazer uma mudança em escala mundial: "Você pode não ser alguém para o mundo, mas pode ser o mundo para alguém".
O que estamos esperando? Descobrir que temos câncer para ajudarmos crianças necessitadas? Olha, não precisamos do câncer para sermos melhores, nem precisamos ajudar de tal forma os desconhecidos. Há tanta gente ao nosso lado que só precisa de um suporte emocional, uma conversa sincera. Não devemos esquecer de outra coisa: podemos mudar a vida de alguém que nem conhecemos com um simples "Bom dia" acompanhado de um sorriso. São pequenas ações que podem ser grandiosas para quem precisa. Podemos ser grandes sendo pequenos, acredite.
Agir, vamos? Vamos plantar uma árvore, cuidar de um pássaro que machucou a asa, abraçar alguém que chora, sorrir para quem está feliz. Fazer o bem, ser o bem.
Friday, June 8, 2012
Valéria.
Era difícil olhar sem poder tocar. Queria abraçar aquele corpo, cheirar aquele cabelo, mas não podia. Havia prometido apenas observar, pelo menos por um tempo.
Olhos revirando de prazer. Olhos cansados com a tortura. Tentou participar da brincadeira, porém ela não permitiu. Ela suava, ele também. Semi nua, vestido. Entregue, tentado. Não demorou muito para o controle ser perdido pelo resto da casa e ele pular com tudo que tinha a procura dela.
Desistiu de deixá-lo à beira do precipício, afinal já havia sufocado demais. Deu-se por vencida a suas vontades, seus desejos, seu tesão. Desabotoou o primeiro da camisa enquanto ele corria ferozmente a boca naquele corpo pálido e torneado.
Já era tarde demais para dominá-lo quando finalmente conseguiu tirá-lo daquela blusa. Puxou a calcinha daquela ninfeta com pressa. Ela deu um risinho promíscuo de retribuição, algo que atiçou mais o fogo daquele rapaz.
A língua dele trabalhava rapidamente no lugar que ela mais sentia satisfação. Um único ponto, único botão, que fazia percorrer arrepios por toda superfície fria da mulher que ele lambia sem cansar. Os gemidos baixos alternados com altos, despertavam mais e mais o apetite dele.
Puxou aqueles cachos morenos para seu nariz, depois levou boca à boca. Lábios frígidos provando o calor. Ele em cima dela com unhas em suas costas. Era inevitável acompanhá-la nos arrepios depois de tanto estímulo.
Desvencilhou-se daquelas garras para ter uma visão completa do que estava prestes a acontecer. Seria uma explosão de sensações misturada com um pontada de sentimento não correspondido. Sabia que estava fodido, então por que não fode logo de vez?
Jurou a si que pelo menos iria se fazer inesquecível de alguma forma para aquela dona das madeixas de fogo. Deu o melhor de si, enquanto ela dava tudo dela. Pegou em cada centímetro que podia, pois sabia que não ia ter outra chance. Capturou o cheiro ingênuo de antes e o imoral do depois. Os olhares perdidos lhe desestimulavam de maneira leve, tão leve que logo esquecia do desinteresse alheio em seu olhar. Continuava indo e vindo sem parar.
Despidos olhando para o teto. Ela levantou e foi embora. Sabia que não a veria mais, não daquele jeito. Talvez com sorte, isso se repetiria. Deixou que ela partisse sem reclamações. Tinha tempo de sobra para fechar os olhos que repassar tudo de novo em sua cabeça. Respirar o hálito úmido, sentir nas mãos os seios pequenos, costas sendo arranhadas com as unhas grandes, cabelo arrancado pelas mãos maldosas. Ainda sentia tudo tal e qual como foi. Poderia esperar um ano, assim pensava. Investiria numa próxima vez? Em um próximo sufoco? Valeria a pena tê-la por uma hora, depois perdê-la por seis meses? Valeria...
Olhos revirando de prazer. Olhos cansados com a tortura. Tentou participar da brincadeira, porém ela não permitiu. Ela suava, ele também. Semi nua, vestido. Entregue, tentado. Não demorou muito para o controle ser perdido pelo resto da casa e ele pular com tudo que tinha a procura dela.
Desistiu de deixá-lo à beira do precipício, afinal já havia sufocado demais. Deu-se por vencida a suas vontades, seus desejos, seu tesão. Desabotoou o primeiro da camisa enquanto ele corria ferozmente a boca naquele corpo pálido e torneado.
Já era tarde demais para dominá-lo quando finalmente conseguiu tirá-lo daquela blusa. Puxou a calcinha daquela ninfeta com pressa. Ela deu um risinho promíscuo de retribuição, algo que atiçou mais o fogo daquele rapaz.
A língua dele trabalhava rapidamente no lugar que ela mais sentia satisfação. Um único ponto, único botão, que fazia percorrer arrepios por toda superfície fria da mulher que ele lambia sem cansar. Os gemidos baixos alternados com altos, despertavam mais e mais o apetite dele.
Puxou aqueles cachos morenos para seu nariz, depois levou boca à boca. Lábios frígidos provando o calor. Ele em cima dela com unhas em suas costas. Era inevitável acompanhá-la nos arrepios depois de tanto estímulo.
Jurou a si que pelo menos iria se fazer inesquecível de alguma forma para aquela dona das madeixas de fogo. Deu o melhor de si, enquanto ela dava tudo dela. Pegou em cada centímetro que podia, pois sabia que não ia ter outra chance. Capturou o cheiro ingênuo de antes e o imoral do depois. Os olhares perdidos lhe desestimulavam de maneira leve, tão leve que logo esquecia do desinteresse alheio em seu olhar. Continuava indo e vindo sem parar.
Despidos olhando para o teto. Ela levantou e foi embora. Sabia que não a veria mais, não daquele jeito. Talvez com sorte, isso se repetiria. Deixou que ela partisse sem reclamações. Tinha tempo de sobra para fechar os olhos que repassar tudo de novo em sua cabeça. Respirar o hálito úmido, sentir nas mãos os seios pequenos, costas sendo arranhadas com as unhas grandes, cabelo arrancado pelas mãos maldosas. Ainda sentia tudo tal e qual como foi. Poderia esperar um ano, assim pensava. Investiria numa próxima vez? Em um próximo sufoco? Valeria a pena tê-la por uma hora, depois perdê-la por seis meses? Valeria...
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