Tuesday, December 17, 2013

4 min

      Essa música me arrepia da ponta dos dedos até o fio de cabelo mais comprido. Dá uma vontade incalculável de sentir tudo aquilo que ele sentiu quando afogou tais palavras nessa melodia. É uma mistura de dor, amor, anseio, carinho... Ah, são tantas coisas em apenas quatro minutos. Tanto pode acontecer em quatro minutos, venho pensando.
      Em quatro minutos duas pessoas podem cruzar seus caminhos várias vezes e não trocarem uma gentileza sequer. Em quatro minutos alguém pode zerar a conta bancária; pode ver um trailer e já odiar o filme; pode fazer um miojo e ainda vai ter um minuto de brinde. Acredite, em quatro minutos um carro pode ser montado, e eu, pobre coitada, perco mais de dez tentando abrir um frasco bem enroscado. Segundo o google, em quatro minutos alguém pode fazer um "geleia gostosa". Em quatro minutos, minha gente, duas pessoas podem se apaixonar; vários beijos podem ser dados. Em quatro minutos pode ser dado o abraço mais demorado da vida de alguém, o mais intenso, ao mesmo tempo o mais rápido. Em quatro minutos e mais alguns segundos eu posso ouvir essa canção e me apaixonar pela ideia de me apaixonar. Em quatro minutos...
      Pergunto-me se as pessoas já se perguntaram o que fariam se tivessem apenas quatro minutos. Quatro minutos para dizerem o que sentem, para defender uma ideia. Duzentos e quarenta segundos, isso mesmo, duzentos e quarenta segundos para se despedir de alguém. Duzentos e quarenta segundos para dizer tudo que quer dizer com o silêncio de um toque. Duzentos e quarenta segundos ao lado de alguém insuportável; achando que vai morrer afogado; aguardando no pronto socorro. Duzentos... e... quarenta... segundos... de pura agonia.
      Em quatro minutos, o que fazes? Toma um banho, escova os dentes, assiste quatro propagandas, pula quarenta e oito delas no youtube? Na verdade, não importa como cada um usa seus quatro, oito, doze, quatrocentos minutos. O importante mesmo é não desperdiçar. A cada quatro minutos, quatro minutos de vida são perdidos, ou ganhos? Só depende de você, não é? Parece aquela história do copo meio cheio ou meio vazio. Pessimista ou otimista, feliz ou triste, atrasado ou pontual, sempre pode nos restar apenas mais quatro minutos.
      Duzentos e quarenta mil milissegundos podem demorar tanto tempo, enquanto quatro minutos podem passar voando. Em duzentos e quarenta segundos meu tempo voou e se arrastou ao mesmo tempo. Escrevi umas dúzias de palavras, umas centenas de repetições. Em apenas quatro minutos, senti tanta vontade de sentir o que há tempos não sinto, recapitulei muito do que já aconteceu. Fechei os olhos e passei alguns anos assim, enquanto meu corpo relaxava por quatro minutos. Foi tanto pouco tempo.
      Foram quatro minutos, enfim, apenas...

Monday, December 9, 2013

Vaivém

      Lascou-me um beijo surpresa na bochecha e fugiu, mas não sem antes olhar para trás, não sem antes me deixar com aquele desconforto nas calças. Eu que não sei ao certo o que causa todo esse transtorno, se é aquele olhar que me come ou aquela boca que me cerca, apenas sei que fico bem fora da minha zona de conforto quando ela emana seu perfume nas minhas proximidades. Mulher menina que me conquista com uma risada e dois tapas; rouba o fio de dignidade que me resta e ainda joga a culpa para cima de mim.
      Eu fui atrás, não me controlei. Sempre perco o controle, não importa em que canal esteja, contanto que ela apareça. Deixa-me uma fera desgovernada, sedenta pelo gosto de seus lábios. Seja em cima, seja em baixo, o sabor da sua confusão me traz um breve momento de quietude. Um breve instante, é tudo que sempre peço, tudo que sempre tenho. Ela anda apressada como se o tempo corresse e não a esperasse. Cada minuto que me presenteia, faz de mim alguém mais, mais... sedento, ainda mais. Debruça seus anseios em meu ser e me deixa de resto mais desejo.
      Quando alcancei, não deixei barato. Ela provoca, eu rebato. Sem medo de gritar, ela se entrega, e eu ganho. A cada encontro fico mais rico, não de dinheiro, é claro. Fico mais completo, e incompleto quando ela não está. Cada pedaço que me falta, ela preenche. Cada alegria, ela me vende. É um jogo contraditório, em que cada vez que pago, mas eu tenho. Rico de satisfação.
      Ela sorriu, porque já sabia. Ela se deixou ser alcançada, como sempre. Sabe bem o que quer e me usa como peão, ou seria escravo? Tanto faz, não importa. Sou parte da jogada e já me é o suficiente. Ela faz com que minha mente caótica faça sentido por quinze, vinte minutos. Apenas para ao fim do tempo, ao soar da sirene, ao suar os corpos, ela instalar um caos maior ainda. Agradeço por toda consideração, toda confusão. Parece ruim, mas não é. Ou é, e eu não sei.
     Agarrei para não mais soltar, do modo como sempre faço. Uma pena que a pele quente dela seja tão escorregadia. Por mais que eu tente, ela sempre dá um jeito de escapulir por entre meus dedos. Derramando-se feito água sobre meu corpo e logo escorrendo pelo ralo. Por mais que eu tente, não consigo segurar aquele espírito livre, aquela ousadia a cada passo, aquela maravilha de se olhar. Dói, mas eu gosto de me perder ali naquele corpo.
      Ela gostou, se aproveitou e, mais uma vez, se foi. Deixou meus trapos no chão, minhas inseguranças também. Juntei os trapos e algumas inseguranças, e fui também. Segui meu caminho, como ela segue o dela. Surtando até o dia de cruzar com ela de novo, e perder mais inseguranças, dignidade, medo. Ela me molha ao mesmo tempo que me seca. Ela é aquela coisa inusitada que acontece com os pobres felizardos. Ganhei na loteria, no entanto o prêmio vem em parcela e deixa dívidas. Sou um pobre feliz.

Sunday, November 17, 2013

Lá e cá

      - Tá vendo aquele casal?
      - Qual?
      - A menina de blusa branca e o cara com a blusa vermelha. Ali. Perto do banheiro.
      - O que tem eles?
      - Ele parece estar louco por ela, mas ela parece tão...
      - Insegura?
      - Não.
      - Desinteressada?
      - Não é bem isso.
      - O que é, então?
      - Perdida, eu acho.
      - Perdida? Como assim?
      - Ele procura os olhos dela, ela encontra os dele, mas ela não parece estar ali.
      - É como se ela olhasse para dentro dela enquanto ele faz o mesmo, não é?
      - Mas... ela está apaixonada por ele.
      - Como você sabe disso? Não parece.
      E então ela calou. Perdeu seu olhar por um momento para tentar não dar dicas do que sentia por ele.
      - Diz. Como você sabe disso?
      - Eu apenas sei - resposta brilhante, não é?
      - Qual é? Eu sei que você tem provas para provar o fato, senhorita detetive.
      A respiração descompassada quase não permitiu que ela respirasse fundo e procurasse pelas palavras para comprovar sua hipótese.
      - Viu como ela fecha os olhos quando ele beija a bochecha dela?
      - Estou, mas isso não quer dizer muita coisa. Pode ser um reflexo.
      - Não. Você não prestou atenção. Ela exprime um leve sorriso quando ele a beija. Num é só um reflexo. Sabe quando você fecha os olhos para sentir melhor o cheiro de alguma coisa? Para ouvir melhor um sussurro?
       - Até que sei.
       - É justamente isso. Aquele beijo é o que ela que sentir melhor, guardar com ela.
       - E por que você disse que ela está "perdida"? - fez as aspas flutuantes com os dedos.
       Ele é tudo que ela queria, mas é tão bobinho. Isso fazia com que ela quisesse ainda mais.
       - Você é meio tapado mesmo - riu, riu para quebrar aquele clima tenso dentro dela. Riu para descontrair.
       E ele riu de volta, quase como quem confirma o que acabou de ser dito.
       - Algo a preocupa.
       - Tipo o que?
       - Ah, sei lá. Sou nem ela ou ele para saber o que se passa.
       - Desculpa aí! Achei que você teria todas as respostas.
       - Sou nem vidente - e era isso que a conquistava. As piadas, as descontrações até nos momentos de seriedade.
       - Achei que fosse! - ele brincou - Mas, sim, isso num quer dizer que ela está apaixonada por ele. Por que parecer tão distante se ela gosta tanto dele?
       - Vai ver ela tem algo para esconder - dessa vez falou baixinho. Porque ela tinha algo para esconder.
       - Oi? O que você disse?
       - Ela deve ter algo para esconder - o olhar dela encontrou o dele.
       - Algo bom ou algo ruim? - ele olhava para ela sem medo de se esconder.
       - Ah, depende do seu ponto de vista, né? - ela queria ser capaz de fugir, mas tinha tanto para ver naqueles olhos tão permissivos.
       - No ponto de vista dele.
       - Acho que não é bom - já não sabia mais de quem estavam falando.
       - E por que você acha isso, ein? - as mãos dele corriam de maneira nervosa pelos fios de cabelo.
       - Porque... - não sabia ao certo o que tinha que responder - se quando ele a beija, - conseguiu desviar o olhar - ela fecha os olhos para guardar o momento em sua mente, - olhou para o casal em questão - mas quando eles se olham, ela não consegue ser aberta como ele...
       - É porque ela tem medo - interrompeu sem pestanejar.
       - Não necessariamente - mais um vez foi fisgada pela confusão daquela conversa tão ambígua - ela pode apenas estar com problemas pessoais.
       - Mas se ela gosta tanto dele, confia tanto nele... ele saberia, não é? - seu olhar ainda fixo nela, procurando os olhos dela.
       - É, suponho que sim - e ela cansou de fugir.
       - Você está com problemas pessoais? - ele indagou com um sorriso desafiador nos lábios.
       - Não, mas o que isso tem a ver? - e ela apenas fingiu não entender por puro medo.
       Ele riu:
       - Posso beijar tua bochecha?

Monday, October 28, 2013

Marionetes

      Nas manhãs ela usava aquele sorriso capaz de incendiar qualquer coração, forjava sua felicidade sem que ninguém desconfiasse, mas bastava alguns minutos sozinha para sua expressão modificar. Bem que ela queria viver no faz de conta que havia criado para convencer os outros de que não precisava de ajuda, no entanto fugir não é tão fácil quanto enganar. Poderia ser uma eterna forasteira dos seus sentimentos, mas prefere ser sincera consigo mesma.
      Todos nós passamos por momentos ruins, era apenas uma fase, ela sabia. Logo a época das vacas gordas iria assolar sua vida de momentos melhores que memórias distantes. Muito esforço era usado para entender como tudo foi ficar tão complicado. Nada lhe fugia do controle, não entendia como daquela vez poderia ser tão diferente. Tantos corações manipulados da forma que ela desejava, fazia o que bem entendia para satisfazer seus desejos. Tinha o domínio da situação na palma de sua mão, palavras convincentes na ponta da língua. Sempre se deu muito bem com marionetes, não era diferente com as pessoas. Cada fraqueza era uma cordinha, sua habilidade permitia controlar os movimentos e prever qualquer desvio.
      O plano infalível não contava com falhas provenientes da fonte de criação. Ela não contava com o vazio que aquilo poderia deixar em seu ser. Queria acreditar mais em histórias fantasiosas para colocar a culpa em magia, pelo menos poderia dizer que algum coração que dilacerou lhe jogou um praga, lhe deu um coração. Não era isso, ela sabia também. A latência de seus sentimento a abandonou e deixou tudo tão escancarado. A vontade de não apenas se sentir desejada, mas também amada. Sua imunidade a romantismos já havia durado muito e, então, ela adoeceu.
      O que lhe causava repudio, agora provocava tanta inveja. Casais apaixonados, olhares cruzados, gargalhadas compartilhadas. De nada lha adiantava um sorriso incendiário se não lhe fosse real, se não aquecesse o coração que lhe enlouquecia. Ela precisava preencher o vazio para que seus momentos solitários trouxessem sonhos, não flashbacks; precisava sair do controle; ser um pouco manipulada; precisava perder o medo. Ela sabia toda a teoria para cessar a dor, só não conseguia encontrar alguém para colocar em prática. Pobre garota, pensava que até para perder o controle, poderia planejar.

Sunday, October 20, 2013

Do amor ao ódio, do ódio ao amor

      Como um flash, tudo aquilo passou pela minha cabeça. Um beijo roubado enquanto ninguém olhava, o fôlego tirado enquanto beijava. As risadas despretensiosas que quebravam o silêncio da madrugada. Os olhares que podíamos ver sem nem mesmo olhar. Tudo que escondemos dos outros e até mesmo de nós. Era tudo tão maravilhoso nos nossos esconderijos favoritos, e agora só me restam alguns goles do passado.
      Mesmo com tudo que foi vivido, parece que eu não fiz o suficiente para te manter aqui. Ela tem algo que me falta e prefiro nem saber o que é. Algo que te traz tanta dor, e ainda assim te prende com tanta força. Algo que te faz trocar risadas por lágrimas, abraços por tapas. Pode me chamar de boba ou idiota, mas prefiro sofrer a dor de não te ter a sentir essa felicidade egoísta de te manter na tortura. Só me restam alguns goles neste copo.
       Sinceramente, senti raiva, não posso mentir. Ninguém gosta de ter seu filme favorito interrompido nas melhores cenas. De alguma forma doentia consigo entender sua decisão. Apenas não sei o que fazer com essa carência, essa saudade. Os goles já não me deixam mais pensar com sanidade e começo a considerar opções absurdas, soluções paliativas. Vou te ligar agora, três da manhã, com sorte ela estará com você. Sua caixa postal vai apenas me dizer que você é algo que não posso ter. Assim vai ser mais fácil, vou poder cair na real, vou poder desistir de tudo isso, por essa noite pelo menos.
      Infelizmente não te liguei e ainda consegui mais uns goles do passado, do álcool, da dor, da vontade. A coragem de fazer besteira só aumenta e a sanidade diminui. Em meia hora fui capaz de sair do limbo para a loucura completa. Nada mais me move além do desejo de te ter aqui. Felizmente ainda tenho seu número na minha agenda telefônica, com sorte você vai atender, pois ela não vai estar com você. Nada de caixa postal, nenhum bipe, apenas a voz que me tira do sério. Esboçar um sorriso não tinha sido tão fácil nesses últimos dias como está sendo agora. De alguma forma os goles me deram palavras. Eu consegui assumir, sentir, falar tudo que tinha escondido de mim, de você. Minha índole não me permite fazer esse tipo de coisa, ainda bem que ela não existe depois de alguns copos de cerveja, vodka, tequila. Não consegui pedir nada, nem exigir, apenas falei tudo que me vinha a mente, todas as cenas daquele filme que vivemos. Foram os goles extras.
      Finalmente, eu deixei você falar mais que "alô", foi aí que eu me tornei teu pecado. Seus passos se encontraram com os meus e por aquele momento não me importava com ela, com vocês. Só existiam nós que nos prendiam, nos atavam, e eu não ia deixar soltar. Daqui em diante meus goles serão compartilhados, ligações serão apenas de saudade isenta de desespero, e as lembranças serão cenas repetidas do filme que vou poder assistir sempre que der vontade.

Wednesday, September 4, 2013

Apelo

      Ultimamente tem sido difícil dormir sem lembrar da sua voz cantarolando o amor que me faltava, é a canção de ninar mais doce, suave e eficaz que já conheci. Por que não te vejo mais? Queria ter em meus braços sua transparência novamente. Fico me perguntando, morena, quando você ficou tão difícil de se ler, quando comprou tantos cadeados para trancafiar seus pensamentos. Até me pergunto se o certo, na verdade, seria perguntar a razão e não o momento.
      Seus olhos, ah, seus olhos hipnotizavam como um relógio incansável de ponteiros parados. O que aconteceu com eles? Tão perdidos no tempo, procurando desesperadamente parecerem cansados para criar uma desculpa. Não se engane, morena, as pessoas percebem, as pessoas sabem. Você não está bem, o que lhe falta? O que lhe excede? Por que não extravasar e catar os pedaços para recomeçar? Vamos lá, eu te ajudo, nem precisa explicar nada, só me devolve o brilho no olhar, por favor.
      Acho que você se esqueceu de tudo que já me disse, de o quanto abomina seu passado insensível. Desgruda do que não te satisfaz e volta pro que te faz feliz. Sabe tão bem a fuga perfeita e continua deixando a opacidade te prender. Para de burrice, para de se afundar, você sabe nadar, eu sei que sabe. O que quer que esteja te puxando para baixo não tem boas intenções. Libera o que te puxa para as profundezas e ancora no raso.
      Volta, morena. Estou esquecendo o som da tua voz e já não consigo mais dormir. Não me faz ter que forçar minha memória, canta no pé do meu ouvido para aquecer meu corpo que deixou tão frio. Quem te fez isso, morena?  Eu vou espancar, prometo. Se for eu o culpado, não se preocupe, já será punição exacerbada não pertencer ao teu sorriso. Pode me privar de sua hipnose, se quiser, mas não priva o mundo, por favor. Deixa que das minhas olheiras, eu cuido, mas você tem que se cuidar também. Promete, morena. Tranquiliza minha insônia, pelo menos. Assegura-me que voltará a ser límpida como água, radiante como a maior das estrelas. Vai, meu sol, amanhece minhas noites intermináveis, mesmo que apenas aqueça outros planetas. Canta, morena, canta.

Thursday, July 11, 2013

Quem sabe um futuro salvará

      Será que as pessoas percebem quando se perdem? Não falo de se perder no meio de uma cidade, falo de perder a essência, o amor próprio, a alma. Tenho a impressão que, se perceberem, demoram muito, ou mais. A tristeza vai assolando devagarinho e a alegria cheia de falsidade faz aparições esporádicas para te enganar. Não importa o que digam, você vai afirmar que está bem, porque, afinal, é assim que você acha que está.
      Bobagem. Quem se importa se eu fico me enganando? Enquanto eu distribuir sorrisos por aí, tudo estará perfeito. Será que ao menos você percebe o que eu não percebo? Será que você fica me maltratando desse jeito de propósito? Esse seu olhar misterioso foi o que me chamou atenção, foi o que me conquistou. Hoje, no entanto, ele não passa de um estresse, um medo que eu tenho dela apaixonar outras garotas, um ciúme que me pega e não quer soltar. Ciúme das garotas que olham para trás só para poder te ver mais uma vez quando passam, ciúme do seu sorriso quando percebe. Será que eu sou a otária da história? Não, besteira da minha cabeça, você disse que me ama.
      E se não deu certo, mas você não seguiu em frente mesmo achando que já está quilômetros à frente daquele passado? A pessoa tem que perceber em algum momento que ficou perdida lá atrás. Ela tem que se encontrar e voltar onde se deixou. Ela tem que fazer isso! Se não o fizer...
      Eu tenho certeza que você fez mais do que olhar para aquela garota. O que ela tem que eu não tenho? Você disse que éramos perfeitos um para o outro, e agora isso? Agora eu tenho que aturar sua maldade que eu achei que era só faixada. Vontade de correr, de fugir, mas você vai me seguir, não vai?
      Quando a pessoa volta atrás, ela consegue achar o que procurava? Ela consegue se achar? E se não conseguir, como lidar com a frustração? Não seria melhor continuar perdida e vazia? A verdade maldita é que não se pode colocar duas coisas na balança se você só conhece uma delas.
      Cilada, foi nisso que me meti. Deveria saber quando te conheci. Na verdade, eu acho que sabia, mas a aventura era adrenalina e serotonina, mistura perfeita para fazer besteira e ainda achar a coisa mais certa do mundo. Satisfação momentânea não mantém felicidade. Talvez eu tenha percebido isso tarde demais, não é?
      Dois diferentes tipos de erros: fugir do passado e se aventurar em um presente. Afinal de contas, o que é mais seguro? Idealizar um futuro? Cansada de você e dos seus fantasmas que começaram a me perseguir desde aquele maldito dia em que te conheci, logo eu que não acredito em espíritos.